Os jornalistas Renato Dornelles e Tatiana Sager lançam “Paz nas prisões guerra nas ruas”

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Em uma data emblemática, 10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos -, a partir das 19h, será lançado “Paz nas Prisões Guerra nas Ruas”, no Centro Municipal de Cultura, em Porto Alegre. O livro é um raio-x detalhado dos gargalos e desafios da segurança pública e do sistema prisional no Rio Grande do Sul. Com 264 páginas, o título é assinado por Renato Dornelles e Tatiana Sager e leva o selo da Falange Produções – editora criada pela dupla de jornalistas. 

A publicação é uma grande reportagem, resultado de 13 anos de trabalho. Além de dados oficiais, apresenta entrevistas exclusivas com autoridades, detentos, menores infratores, ex-apenados e mães de presidiários, detalhando os principais episódios que marcaram o avanço das estatísticas da violência em solo gaúcho. Se com o documentário Central – o poder das facções no maior presídio do Brasil, a dupla trouxe à tona os problemas gerados pelo encarceramento em massa dentro e fora das cadeias, “Paz nas Prisões Guerra nas Ruas” apresenta a relação direta entre a o domínio dos presídios pelas facções e a criminalidade nas ruas. 

Dornelles é o autor de um sucesso literário que se tornou um marco do gênero, Falange Gaúcha, que mapeou o crime organizado no estado e foi lançado em 2008. “A ideia de um novo livro surgiu juntamente com a finalização do primeiro, Falange Gaúcha. Já naquela época, entre 2006 e 2008, eu percebia mudanças no sistema prisional e criminalidade nas ruas. Quando comecei a trabalhar com a Tatiana Sager, no curta-metragem O Poder Entre as Grades, e por saber que ela sempre teve grande interesse no assunto, idealizei um livro escrito a quatro mãos. O projeto foi consolidado com as produções do longa-metragem Central e da série de TV Retratos do Cárcere”, conta o autor. 

A apresentação é do cientista político Bruno Paes Manso e o prefácio do sociólogo Michel Misse / Divulgação

Para Tatiana Sager, será a estreia como escritora. Ela ressalta a abordagem que o livro traz sobre o papel da mulher no sistema carcerário. “O universo feminino é bastante amplo no sistema prisional. A mulher está inserida de diferentes formas: como apenada, servidora e visitante. Em todas as formas, há questões de gênero que tornam o envolvimento peculiar e mais dramático, quando comparado ao masculino. No caso das apenadas e das mulheres familiares que realizam visitas, os estigmas, preconceitos e estereótipos são ampliados”, explica Tatiana. 

A apresentação é do cientista político Bruno Paes Manso, autor do livro A república das milícias: Dos esquadrões da morte à era Bolsonaro, e o prefácio do sociólogo Michel Misse. Flávio Ilha assina a edição e Weldey Fey, a revisão. A capa e as ilustrações são de Gilmar Fraga. O projeto gráfico foi produzido por Paola Rodrigues. O livro conta ainda com uma seção de fotos captadas dentro das celas do Presídio Central de Porto Alegre pelo juiz Sidinei Brzuska. 

Na apresentação, Bruno destaca que o livro parte da rotina de caos e abandono do Presídio Central, sempre em posição de destaque entre os piores presídios da América Latina, alcançando as ruas de bairros pobres. “O livro relembra desde os tempos em que as bocas eram tocadas por pequenos vendedores, isolados entre si, o surgimento das primeiras gangues, como a Falange Gaúcha, Os Manos e Os Brasas, vinculadas ao cárcere, até o período em que os conflitos explodem nos bairros em torno de grupos como os Bala na Cara (BNC) e os Antibala. Prenda a respiração e encare esta obra imprescindível. Afinal, para superar, só nos resta compreender.”

“Paz nas Prisões Guerra nas Ruas” pode ser adquirido pelo site da Falange Produções.

Edição: Katia Marko– Brasil de Fato RS

  1. Claudemir Casarin

    Ainda não li o livro, mas o título é ao menos meio equivocado. No dia dos Direitos Humanos é preciso que se reafirme a desumanidade, a violência fabricada e reproduzida pelo estado nas prisões do Brasil.

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