Vítimas de violência crescente, mulheres indígenas se articulam contra o sexismo e o racismo

A investigação do assassinato de Daiane segue em andamento. Existe a hipótese de que a jovem encontrada com a parte inferior do corpo dilacerada por animais tenha sido vítima de violência sexual antes do assassinato. No caso de Raissa, a perícia já concluiu que a criança sofreu estupro antes de ser atirada de um penhasco de 20 metros de altura. Três adolescentes foram apreendidos e um adulto foi preso por suspeita de praticar o crime. Um deles é tio da criança. “Nós, mulheres indígenas, por sermos indígenas e por sermos mulheres, infelizmente, estamos desamparadas. Muitos falam que ela [Daiane] estava fora da aldeia no momento da morte, como se a culpa fosse dela por sofrer violência. Só que a gente vive violência dentro de casa também, está aí o caso da Raissa”, resume Roseni Mariano, kaingang e moradora da Guarita.

Os assassinatos brutais estão longe de ser a única forma de violência sofrida pelas indígenas. Para a antropóloga e doutoranda em Antropologia Social Joziléia Daniza Kaingang o problema é atravessado pela omissão ou ausência do Estado na elaboração e implementação de políticas públicas que garantam os direitos de indígenas e, especialmente, das mulheres. “Trabalho com mulheres indígenas e na minha interação com as parentes, no trabalho como pesquisadora, no movimento social, o que tenho observado é uma crescente na violência, especialmente física, contra mulheres indígenas. E isso passa por muitos fatores, como a falta de perspectiva de vida, a inserção de outros valores externos aos nossos povos, além do pouco território para sobreviver como viviam os nossos antepassados”. 

FONTE: SUL 21

IMAGEM: SUL 21

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