PSOL anuncia apoio a Manuela: ‘nosso objetivo é derrotar a direita que governa Porto Alegre há 16 anos’

A candidata do PSOL à Prefeitura de Porto Alegre, Fernanda Melchionna, anunciou, no início da tarde desta segunda-feira (16), o apoio do partido à candidata Manuela D’Ávila (PCdoB) na disputa de segundo turno na capital gaúcha. O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva na sede do comitê de campanha de Fernanda Melchionna, com a presença de Manuela D’Ávila, de seu vice, Miguel Rossetto, e de representantes do PSOL, do PCdoB e do PT. Ao confirmar o apoio a Manuela no segundo turno, Melchionna destacou que o PSOL é um partido que mantém sua independência política e que esse apoio não passa por negociação de cargos, mas sim pela discussão de um programa para a cidade de Porto Alegre. O objetivo político central agora, disse a deputada federal, é derrotar a direita no segundo turno e, em Porto Alegre, ela está representada na candidatura de Sebastião Melo (MDB).

A candidatura Melo, assinalou Fernanda, representa os partidos que vêm governando Porto Alegre há 16 anos “atacando os servidores públicos, fazendo negociatas com cargos de confiança, colocando no ralo da corrupção recursos tão importantes para o povo”. “Esse projeto político precisa ser derrotado. Nós, do PSOL, somos um partido independente, com a trajetória de uma esquerda coerente, que não se rende. Nós não discutimos com a Manuela, com o Rossetto ou com os dirigentes do PCdoB a composição do governo ou cargos. A nossa discussão com os companheiros e companheiras é sobre o programa que queremos para a cidade de Porto Alegre. Neste segundo turno, o PSOL está comprometido a batalhar para derrotar a velha direita e para que a gente tenha um governo capaz de revogar todo o pacote de maldades feito pelo Marchezan”, acrescentou.

Manuela D’Ávila: “O dia de ontem foi muito emblemático e nos deu muitos sinais”. Foto: Luiza Castro/Sul21

A deputada estadual Luciana Genro reforçou: “o nosso objetivo central neste segundo turno é derrotar a direita em Porto Alegre”. Vice na chapa do PSOL à Prefeitura da capital, Marcio Chagas destacou a importância e o significado da eleição de vários candidatos e candidatas negros, negras e LGBTs por todo o país. “O Brasil parece que deu uma acordada a partir dos acontecimentos que seguiram à morte de George Floyd, nos Estados Unidos. Precisamos aumentar esse despertar”, disse Chagas.

Ao falar sobre as dificuldades que serão enfrentadas no segundo turno, Pedro Ruas, eleito vereador pelo PSOL neste domingo, o segundo candidato mais votado à Câmara Municipal, lembrou a eleição para o governo do Rio Grande do Sul, em 1998, que teve uma disputa de segundo turno entre Olívio Dutra (PT) e Antonio Britto (PMDB, na época). Naquela eleição, lembrou Ruas, faltou só 0,46% para o Britto vencer no primeiro turno. “Diziam que era impossível, mas nós fomos para o segundo turno e Olívio ganhou a eleição. Multiplicamos o trabalho da nossa militância. Fizemos 1+1 ser 5 e 2+2 virar dez. É assim que vamos vencer. A posição do PSOL é derrotar a direita no segundo turno”. Na mesma linha, o também eleito vereador pelo PSOL, Matheus Gomes, resumiu: “Vamos transformar Porto Alegre numa trincheira de luta contra o fascismo no Brasil”. Karen Santos, candidata mais votada na eleição para a Câmara de Vereadores, também participou do ato e defendeu a necessidade de colocar o pé no barro e a mão na massa nas próximas semanas.

Vereadora mais votada de Porto Alegre, Karen Santos (PSOL) também participou do ato. Foto: Luiza Castro/Sul21

Manuela D’Ávila agradeceu o apoio e destacou a importância do anuncio ter sido feito já no primeiro dia depois da eleição de 15 de novembro. “O dia de ontem foi muito emblemático e nos deu muitos sinais. Cabe a nós interpretarmos esses sinais. Tivemos a honra, eu e o Rossetto, de sermos escolhidos pela população de Porto Alegre para estarmos no segundo turno. Fazia muito tempo que não chegávamos lá. Sabemos das dificuldades. Enfrentamos um volume imenso de mentiras orquestrado pelo gabinete do ódio comandado pessoalmente pelo filho do presidente da República que declarou guerra a nossa candidatura, pelo que nós representamos socialmente: a ideia de que é possível desenvolver nosso país sem ódio e sem violência, garantindo que trabalhadores e trabalhadoras vivam com dignidade”, afirmou Manuela.

Porto Alegre, acrescentou, é governada pela mesma turma há 16 anos. “É a turma que quer vender a Carris, que quer tirar os nossos idosos do sistema de transporte, que não luta por regularização fundiária e quer tirar homens e mulheres pobres de suas comunidades, preferindo deixar prédios e terrenos vazios. Nosso desafio é mostrar para a população que se ela quer mesmo construir um outro caminho existe uma alternativa, aquela que nós representamos aqui juntos.

Fernanda Melchionna e Manuela falaram da importância de vencer “a turma que governa Porto Alegre há 16 anos”. Foto: Luiza Castro/Sul21

Outro desafio, disse ainda a candidata, é reduzir o índice de abstenção no segundo turno. Na eleição deste domingo, 358.217 porto-alegrenses aptos a votar não foram às urnas, o que representa 33,08% do total do eleitorado da Capital. Além disso, outros 78.754 votaram branco ou nulo, o que representou 10,87% do total de votos válidos. Assim, a soma de abstenção, nulos e brancos chegou a praticamente 44%. “As pessoas que não foram votar representam praticamente a soma dos votos que eu e Melo recebemos. Nós precisamos conversar com essas pessoas sobre os problemas da cidade e sobre a importância do voto para enfrentá-los”, destacou.

Fonte: Sul21

Imagem: Sul21

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