Eleição, imprensa e refletores( Por Álvaro Barcellos)

..e por favor não vá pensar

que é só a luz do refletor…

  (Belchior)

Uma coisa é sabermos que falar-se em LIBERDADE de IMPRENSA no capitalismo é uma balela. Tudo não passa de um grande jogo em que vai pesar ao final o interesse do CAPITAL PATROCINADOR. Simples assim – apesar dos esforços de alguns jornalistas abnegados que ainda fazem força para justificar seus diplomas e sua honra. E temos cada vez menos desses abnegados…outra coisa, porém, são os exageros e enormes injustiças em nome da proteção e privilégios impressionantes desses poderosos grupos econômicos que sustentam e controlam a grande Mídia.

Certo mesmo é que a máquina  vem engolindo o jornalismo mais investigativo. E muitos jornalistas ficam perdidos e entram direto na onda; outros, despreparados, apenas fazem o jogo. E outros optam mesmo por ficar com uma imagem confiável aos olhos dos editores que em geral sabem como funciona essa engrenagem. E se acomodam em torno dela.

Os veículos que atuam nessa área – convém lembrar – são CONCESSIONÁRIAS de SERVIÇO PÚBLICO ligadas à área de COMUNICAÇÃO. Mas, por aqui, tornaram-se verdadeiros IMPÉRIOS, envolvendo FORTUNAS das quais se beneficiam suas famílias (ou Igrejas Neo-evangélicas, mais recentemente). Ganham INDEVIDAMENTE status de EMPRESAS.

Nos Processos Eleitorais , e por mais estreitas e esvaziadas que se tornem as DEMOCRACIAS BURGUESAS, há muito  a caminhar para que os Pleitos se tornem um pouquinho mais democráticos, tendo a mídia papel preponderante nesses processos, caso assumam minimamente alguma postura em nome da CIDADANIA.

É necessária uma tomada de posição – que poderia envolver Partidos, se a imensa maioria não passasse de siglas de aluguel –, no sentido de GARANTIR a realização (em eleição para GOVERNADORES, PREFEITOS, PRESIDENTE…) de um determinados número de DEBATES em REDE – CADEIA – em Horário NOBRE, com PRESENÇA OBRIGATÓRIA dos CANDIDATOS, em respeito aos eleitores e ao conjunto da Sociedade, que precisa conhecer EFETIVAMENTE os PROJETOS e PROGRAMAS de GOVERNO  de TODOS as CANDIDATURAS.

Outra questão de suma importância é REESTRUTURAR o tempo das Propagandas, de modo a corrigir distorções: não é razoável que alguns disponham de 12 minutos e outros de 35 segundos, por exemplo. É por demais desrespeitoso.

Há ainda uma outra questão relevante: se de um lado pode ser importante o candidato ter uma noção de suas possibilidades reais em dado momento (que poderiam ser medida por pesquisa), de outro lado, não há nenhuma dúvida que a PUBLICAÇÃO de RESULTADOS  de PESQUISAS (muitas vezes manipulada ou maquiada, sobretudo pelo poder econômico) é INDUTORA da OPINIÃO PÚBLICA, mostrando-se assim NOCIVA e ANTIDEMOCRÁTICA. Em dado momento, por exemplo, 6 candidaturas concorrem: se as pesquisas já na arrancada apontam 3 que estejam despontando, as demais podem dar adeus – desaparecem de cena, sem mais refletores ou holofotes sobre si, por mais que pudessem, em alguns casos, agregar QUALIDADE e BONS PROJETOS…esse aborto de candidaturas nada acrescenta nesse já estreito jogo em que se estão presentes os estreitantes limites da Democracia Representativa (que muitas vezes quase nada ou nada representa) mas das quais se vale o capitalismo.

Neste sentido, NÃO havendo  DIVULGAÇÃO dos Resultados das PESQUISAS, estão em tese todos no páreo até o final. O que poderia favorecer Candidaturas de MENOR PODER ECONÔMICO e muitas vezes (nem sempre) com Programas Criativos  e de possível apelo Popular, por conta dos interesses que possam envolver (Modelo de Estado, Organização dos Trabalhadores, causas como a da Mulher, ou do Negro, ou do Indígena, ou do Meio-ambiente, entre outras).

Ou, caso continuemos nessa toada, teremos um Processo Crescente de DESPOLITIZAÇÃO, que só pode interessar ao GRANDE CAPITAL que sempre pretendeu manter as coisas como estão…indefinidamente.

Fonte: Álvaro Barcellos é colunista da RádioCom

Imagem: Internet

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