Revolução Farroupilha: Conflito entre oligarquias dominantes massacra Lanceiros Negros

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A chegada da Semana Farroupilha vem acompanhada de festividades e o culto aos ídolos construídos pela história contada pelas classes dominantes, como Bento Gonçalves e o General Canabarro. Heróis advindos de uma necessidade por figuras personalistas. Os quais precisam ser homens e precisam ser brancos. A participação dos homens escravizados, conhecidos como Lanceiros Negros, é invisibilizada.

Homens negros que participaram de uma guerra da qual o único benefício alcançável, a liberdade, foi tomada. Uma traição violenta e sangrenta, no mês de novembro de 1844, dizimou os homens negros que lutaram ao lado dos revoltosos farroupilhas. Quando a paz já estava desenhada e acordos com o Império do Brasil eram costurados, o General David Canabarro desarmou e atraiu os Lanceiros ao Arroio Porongos, em Pinheiro Machado. Atacados de surpresa pelo exército imperial, liderado por Francisco Abreu, os escravizados foram massacrados.

O professor de história, Francisco Vitória, defende que o hino do Rio Grande do Sul é mentiroso. “Onde está a façanha?”, questiona. Vitória diz que a tradição deve ser mantida, mas não deve-se parar no tempo. Ele exalta a coletividade dos homens negros, mas ressalta que os comandantes da tropa eram homens brancos. Segundo o historiador, o armamento não chegava as mãos dos negros devido ao temor, por parte da elite farroupilha, quanto a uma revolta interna protagonizada pelos escravizados.

Quando questionado a respeito da participação de indígenas no conflito, Francisco diz que durante o processo de militarização das terras gaúchas, os nativos foram dizimados. Muito tempo antes da revolta liberal que, segundo o professor, tratava de camadas da mesma oligarquia dominante, brigando pelos próprios interesses. O principal motivo foi em relação aos impostos que tornavam o charque uruguaio mais interessante comercialmente para Coroa Portuguesa comparados ao charque produzido no Estado.

Confira a matéria: A farsa farroupilha: o preço da liberdade para os lanceiros negros

Confira a entrevista completa com Francisco Vitória em podcast no Spotify.

Fonte: Vitor Valente (Núcleo Popular de Jornalismo)

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