Pergunta para povo trabalhador de Pelotas… até quando?

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Foto: Liga Internacional dos Trabalhadores Quarta Internacional

Por Giovanni Frizzo

Qualquer pessoa que caminha pelas ruas de Pelotas se depara com as seguintes situações: placas de vende-se e aluga-se em diversos imóveis do centro e dos bairros, pequenos e médios comércios fechados, filas em busca de empregos precários na esquina da Osório com a Lobo da Costa, ruas inundadas e casas alagadas em qualquer dia de chuva, ônibus lotados e com passagem cara, cada vez mais pessoas em situação de rua, atos e manifestações em defesa de direitos e condições de vida, obras inacabadas de prédios que transtornam a mobilidade urbana, relatos constantes de assaltos e agressões, ciclistas sobrevivendo ao trânsito desenfreado e à ciclo-faixas que não levam à lugar nenhum.

Não suficiente esta situação tão difícil para tocar a vida cotidiana, se têm questões que não são visíveis apenas circulando pela cidade, estão presentes nos dados gerais do aumento do desemprego, da pobreza e da violência urbana. O desemprego em Pelotas e no Brasil é gigante. E, ainda, os dados sobre a precariedade da vida nos mostram que a violência contra a mulher aumenta das mais variadas formas: agressões físicas, psicológicas, assédios, estupros e feminicídios. A violência contra LGBTs e a desigualdade de condições as colocam em estado permanente de exclusão do acesso à cidade, vivendo com medo ainda maior quando está na rua.

Não está visível também, no centro e nos bairros nobres, a população negra que é uma das maiores do Estado e que construiu todas as obras históricas que produziram a riqueza da região. Porém, nos trabalhos mais precários, terceirizados e mal remunerados é visível a cor do trabalhador e da trabalhadora.

Não está visível e também não se escuta mais a voz das mulheres vítimas da adulteração dos exames pré-câncer, algumas das quais perderam sua vida. Não se escuta a voz das mulheres vítimas de violência obstétrica e que poderiam ter seu parto mais humanizado se a lei aprovada na Câmara não tivesse sido vetada pela prefeita esse ano.

 A mesma prefeita que não escuta a voz dos municipários e deixa de pagar os salários em dia, tornando a vida de todos eles uma escolha diária entre qual boleto vai atrasar no mês e pagar multa.

Enquanto isso, os empresários não precisam sequer pagar impostos com as isenções da prefeitura, inclusive aquele “véio” que veio instalar sua mega loja que contratará 300 e causará demissão de outras tantas centenas, dos pequenos e médios comércios que não sobreviverão ao grande capital engolindo o pequeno.

E nessa “melancolia de morrer neste mundo e viver sem uma estúpida razão”, como diria Fito Paes em sua música, sopram ventos latino-americanos do Equador e do Chile. Ecoam as vozes de hermanos e hermanas que se levantaram contra os mesmos problemas cotidianos que nós vivemos.

Levaram às ruas a sua indignação que antes despejavam apenas nas redes sociais. E assim, parte de nós aqui está. Quanto ainda suportamos e até quando suportaremos? Até quando?

*Giovanni Frizzo – militante do PCB

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