Peça de teatro celebra obra de Paulo Freire

Na semana em que se completam 22 anos de seu falecimento e sete após ser nomeado, postumamente, o Patrono da Educação no Brasil, Paulo Freire e sua obra voltam a ser destaque quando o assunto é o futuro da educação no país. A diferença é que, desta vez, um dos pensadores mais notáveis da pedagogia mundial tem a sua metodologia questionada por ninguém menos que Jair Bolsonaro. O presidente da República e seus filhos, também parlamentares, já se manifestaram publicamente sobre o legado de Paulo Freire e o seu desejo em comum de tirá-lo do posto de Patrono da Educação Brasileira.

Paulo Freire foi educador, pedagogo, filósofo e o brasileiro mais homenageado na América e Europa quando a pauta é “educação”. Entre seus feitos, recebeu o prêmio da UNESCO de Educação para Paz, em 1986, e é o nome mais comum em instituições de ensino estaduais e municipais em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Sua obra é fundamental para os dias de hoje, e tem seus métodos aplicados como referências em inúmeras universidades mundo afora, como Oxford (Inglaterra) e Harvard (Estados Unidos).

Com uma obra reconhecida mundialmente, Freire deixou um legado imensurável para a educação e cidadania. Sua obra e trajetória são a base para o espetáculo “Paulo Freire, o Andarilho da Utopia” um ato “cenopoético” com encenação de Luiz Antônio Rocha, dramaturgia de Junio Santos e no elenco o ator e palhaço Richard Riguetti, fundador do grupo Off-Sina e da Escola Livre de Palhaço – ESLIPA, que comemora seus 40 anos de atividade artística. “Paulo Freire, o Andarilho da Utopia” cumpre temporada até o dia 26 de maio, sempre aos sábados e domingos, no Centro Cultural Municipal Parque das Ruinas. Ingressos a partir de R$25 (meia entrada).

“Paulo Freire, o Andarilho da Utopia” é um espetáculo fundamental para os dias de hoje, despertando reações apaixonadas naqueles que admiram ou reconhecem a importância do educador e filósofo. Após cada sessão, Richard e Luiz Antonio promovem um bate papo com a plateia – normalmente ávida por compartilhar sentimentos sobre o que representa ver, em cena, ideais de Paulo Freire sobre educação e transformação social. A peça derrama no palco a trajetória e os causos de um dos mais notáveis pensadores da história da educação mundial. O espetáculo propõe uma reflexão, mostrando a sociedade e o planeta em constante mudança através da ótica Freiriana, misturando elementos das linguagens do teatro, do palhaço e do teatro de rua.

Richard estreou nos anos 70, ao lado de Ary Fontoura, Raul Cortez, Vera Holtz, Lucélia Santos e Guilherme Karan, com a premiada peça “Rasga Coração” – peça proibida pela censura e que se tornou símbolo de luta. Anos depois, atuando no teatro de rua, Richard se dedicou à arte da palhaçaria, fundou o Grupo Off Sina e a Escola Livre de Palhaço (Eslipa). Após 30 anos dedicados ao teatro de rua, Richard Riguetti retorna aos palcos com esse projeto cênico, idealizado por ele e Luiz Antônio Rocha há oito anos. “Não conseguimos viabilizar o espetáculo antes por falta de agenda. Hoje não consigo imaginar melhor forma de celebrar 40 anos de trajetória artística, encenando um texto com as ideias tão vivas e inspiradoras de Paulo Freire”, comenta Richard.

“Ler a vasta obra de Paulo Freire é necessário e prazeroso. Complicado é – entre tantas palavras e textos significativos – extrair o conteúdo da dramaturgia. Por isso, criamos roteiros cenopoéticos, temperados com cantigas, poemas, com cheiros de vida e cheiros de gente, para propagar a esperança que não cansa na voz, no corpo, na força que desejamos imprimir com o espetáculo”, explica Junio Santos.

A encenação de Luiz Antônio Rocha (‘Frida Kahlo, a Deusa Tehuana’; ‘Brimas’ e ‘Zilda Arns, a dona dos lírios’) propõe uma estrutura narrativa que leva a um lugar de ideias e reflexão. Ele explica: “O brasileiro gosta de histórias. Gosta de pessoas que inventam, que abrem caminho, que enfrentam desafios, que são corajosas. O brasileiro está imerso em crenças fortes, em uma diversidade e cultura preciosas. Nossa brasilidade carrega paixão e acolhe arte antes mesmo de saber que é arte. Assim trazemos a presença iluminada de Paulo Freire através de uma dramaturgia que abarca formas brincantes como o circo e o teatro de rua. Essa brincadeira que propomos rompe barreiras de tempo e lugar. Nos leva à lua, um lugar de exílio e reflexão. Traz o encanto das palavras encharcadas de significados tão amorosas de Paulo Freire e de suas ideias. São ideias mais que nunca atuais, vivas e necessárias diante da realidade que neste momento nos envolve” destaca o diretor.    

“O palhaço tem como função social reconstituir o tecido emocional da população. O Vianinha dizia ‘o homem ri, porque crê. Porque acredita no futuro, vislumbra um futuro melhor’. Durante o processo de criação, percebemos que Paulo Freire também tem essa linha de pensamento, especialmente quando ele diz ‘eu carrego nos olhos o brilho do menino’. Por conta dessas ‘coincidências’, acredito que Vianinha muito provavelmente estudou e se inspirou em Paulo Freire. Por isso, vejo como natural trazer a figura do palhaço para o espetáculo – não como o engraçado, mas como sujeito que busca novas possibilidades e que reafirma, dentro de cada um, a fé. Arrisco dizer que o palhaço traz os olhos de Paulo Freire, uma vez que esse grande homem sempre olhou o mundo com curiosidade, como se fosse sempre a primeira vez, na busca de aprender alguma coisa e trocar com ele”.

Sinopse – “Paulo Freire, Andarilho da Utopia”

É no interior de Pernambuco, à sombra de uma mangueira que a história começa. Um menino com um graveto na mão inicia o seu processo de leitura do mundo. É submetido a fome, assim como grande parte da população brasileira. Na fantasia, ele aparece no espetáculo, como um astronauta, um professor, um brasileiro com sonhos e fome de tudo.  Na Infância e juventude, outra fome ocupa o seu tempo: As palavras. E ele as devora como se elas fossem pedaços de comida. E essa foi a sua busca até a eternidade: as palavras. Através delas e com elas percorre territórios disseminando a sua pedagogia de ensino e revoluciona a educação mundial. Movido pelo desejo de liberdade de si e dos outros, de justiça, igualdade, e superação dos obstáculos. 

SERVIÇO: “PAULO FREIRE, O ANDARILHO DA UTOPIA”

Monólogo teatral inspirado na trajetória e na obra do patrono da educação Brasileira, marca os 40 anos de atividade artística do ator e palhaço Richard Riguetti.

Dramaturgia – Junio Santos

Ator – Richard Riguetti

Encenação – Luiz Antônio Rocha

TEMPORADA: até 26 de maio de 2019 | Sábados e domingos |HORÁRIO: 19h

LOCAL: Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas.

Rua Murtinho Nobre, 169. Tels: 2215-0621 | 21 2224-3922

INGRESSOS: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia entrada) | CAPACIDADE: 300 lugares

Recomendado para maiores de 12 anos

Fonte: Brasil 247

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