NEOFASCISMO: RACISMO E O DESENHO TORPE DE UM BAILE DE HORRORES (por Álvaro Barcellos)

Entre o período imediatamente posterior a abolição da escravatura e até os primeiros 15 anos do século XX, o Brasil (e fenômeno semelhante – não por acaso – ocorreria também em vários países latino-americanos) começou a intensificar amplamente um processo que ficaria conhecido como branqueamento ou clareamento.

A ideia já começara a ser pensada e adotada desde muito antes, na tentativa de isolar e perseguir os nativos indígenas.

Quando a onda recomeça, havia nova tentativa das mesmas elites, fortemente dirigida também aos negros. Em última análise, etnias que padeciam empobrecidas, acabavam vitimadas por uma espécie de invisibilidade social.

Recentemente, com a retomada de uma impressionante onda de ódio, intolerância e violência – institucionalmente incentivada desde a inacreditável campanha do candidato vencedor – a escalada de perseguições e mortes vem afetando muito especialmente essas etnias, criando um tipo de apartheid, nos moldes de grupos neo nazistas.

Inúmeros relatos revelam um terrível crescimento de violência e assassinatos de povos indígenas – muito especialmente na região amazônica, onde os abutres madeireiros e grileiros altamente gananciosos destilam seu ódio contra os povos defensores da floresta e da vida. O número de vítimas fatais cresceu assustadoramente, como tais relatos denunciam.

Já em lugares como o Rio de Janeiro, por exemplo, que possui várias favelas, de moradores negros e pardos em sua ampla maioria, os relatos de invasões e perseguições são alarmantes. Inclusive por conta dessa invisibilidade social.

Não raro, aparecem casos de mortes estúpidas por motivações políticas, como nos casos do capoeirista na Bahia, e que era uma referência importante do campo democrático e popular, e  o da vereadora Marielle, ativista de causas envolvendo direitos humanos, em especial a causa feminista, movimento negro e LGBT.

Mais recentemente, pelo menos dois casos ocuparam espaço nas mídias: o caso do rapaz que teve um surto dentro de um centro de compras – e o segurança em ato estúpido e inaceitável não se contentou em imobilizar o rapaz, mas seguiu sufocando-o até a morte sob os gritos da mãe desesperada que implorava que o largasse.

Outro caso impressionante foi o do cliente da Caixa em uma agência da Bahia – estado em que quase 90 por cento da população é de afrodescendentes – que ficou mais de quatro horas aguardando atendimento na companhia da filha. Por fim, o cliente, que possui uma farmácia, acabou com razão perdendo a paciência com o gerente que o ignorava. O gerente chamou a polícia, mandou algemá-lo, referindo-se a “esse tipo de gente”, humilhando-o de modo inexplicável.

Como consequência, ativistas ligados ao movimento negro e outros ativistas solidários ao cliente realizaram uma manifestação fora e dentro da agência, dizendo: fascistas e racistas não passarão!!

Como de vê, muita – e pesada – luta nos aguarda. Confirmando que RESISTIR torna-se mesmo imperioso!!

Por: Álvaro Barcellos, poeta, escritor e apresentador da olhares na RádioCom

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