“Meu sonho é ver um jovem com arte e não com armas”

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Baldes que servem de instrumentos musicais e apontam novos caminhos para a vida de crianças e jovens no bairro Getúlio Vargas, em Pelotas. A Orquestra Popular Afrobeat Anjos e Querubins tem vivido na prática a esperança de um futuro de sonhos e novas perspectivas.

Há quase duas décadas a ONG Anjos e Querubins tem sido um exemplo de projeto artístico-social que transforma objetos em música, crime em educação, desesperança em sonhos. O idealizador do projeto, Ben Hur Flores esteve no programa Navegando RádioCom e conta que teve a iniciativa de implementar atividades artísticas e educativas que combatessem a discriminação com um olhar voltado para as comunidades das  periferias. Foi aí que, há 18 anos atrás, nascia o projeto que já resgatou centenas de jovens, mudando perspectivas, histórias e sonhos.

“Muitas pessoas quando olham para o nosso bairro só querem ver o lado obscuro, do crime e das armas, mas temos orgulho em dizer que hoje já temos nove jovens formados na universidade, vários trabalhando, estudando e buscando uma vida digna e menos desigual desse sistema desumano”, declarou Ben Hur que sonhou com o projeto desde 2001 e, desde então, vem realizando com a finalidade de

tirar jovens e adolescentes das ruas através do resgate da cidadania no campo de ações escolar, a recreação, o teatro, a música, reuniões com os pais e a realização de oficinas.

Embora, a ONG tenha sofrido com dificuldades financeiras, visto que não tem fins lucrativos e a maioria dos instrumentos às próprias crianças e jovens confeccionam, Ben Hur sempre lutou pela continuação de seu grupo, e sempre busca novos integrantes. Em entrevista, o líder comunitário e considerado como “pai” de muitas crianças da ONG, comentou que já realizaram viagens até o Rio de Janeiro (Morro do Alemão) e que foi uma experiência emocionante e significativa a todos que muitas vezes não tinham sequer saído do BGV. Neste ano, o grupo se prepara para retornar ao Rio de Janeiro em novembro para mais um intercâmbio entre projetos artísticos-sociais comunidades periféricas de diversas parte do Brasil. Porém, essas viagens não possuem apoio institucional do poder público ou de muitas instituições. A cada viagem ou atividade a ser realizada que necessite de fundos financeiros, é sempre com grande dificuldade que se alcança.

A jornalista da RádioCom, Ediane Oliveira, desempenha um trabalho semanal na ONG com oficinas de educomunicação. O resultado dessas oficinas será um documentário realizados pelos próprios integrantes, com a câmera/celular na mão, onde eles mesmos são protagonistas de sua própria história e contam, em primeira pessoa, seus sonhos, suas vivências e suas realizações. A produção audiovisual coletiva está prevista para ser finalizada em dezembro deste ano.

Confira a entrevista na íntegra:
https://www.facebook.com/radiocompelotas/videos/994429737428464/

Fonte: Núcleo Popular Jornalismo ( Por Ediane Oliveira )

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