Gilmar usa discurso de mais de vinte minutos para encostar Moro na parede: ou sai do governo — e se une aos tucanos — ou será fritado. Vaga no STF já era

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Brasília – O juiz federal Sérgio Moro, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, e o procurador Deltan Dallagnol, participam da palestra Democracia, Corrupção e Justiça, no UniCEUB (José Cruz/Agência Brasil)

O homem que impediu o ex-presidente Lula de se tornar ministro da presidenta Dilma Rousseff e, com isso, acelerou o golpe de 2016, fez esta tarde a mais completa necropsia da Operação Lava Jato no plenário do Supremo Tribunal Federal.

O ministro Gilmar Mendes, que colocou duas vezes em liberdade o operador tucano Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, falou durante mais de vinte minutos contra o ex-juiz federal Sergio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e o ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot — que sugeriu ser bebum.

Ao tirar Paulo Preto da cadeia, Mendes livrou de delação premiada o senador José Serra e o ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira, artífices não só do golpe de 2016 contra Dilma, mas também de importantes decisões econômicas no passado, como a privatização da Vale e do pré-sal.

Gilmar falou, assim, em nome do dinheiro grosso — que está cansado das infindáveis operações da Lava Jato.

Elas servem hoje acima de tudo à promoção do poder de Moro, Dallagnol e seus asseclas e reféns, como a TV Globo.

O discurso de Gilmar, embora desagrade parte da base bolsonarista, soa como música aos ouvidos do empresariado: a Lava Jato está em modo moto contínuo e é óbvia ameaça à estabilidade econômica, pois precisa produzir operações infindáveis que atingem corruptores.

Corruptores não costumam ser moradores de rua.

O fato de que o representante do PGR Augusto Aras pediu a Gilmar que encaminhasse a ele suas denúncias é significativo.

Reforça a tese de uma barganha através da qual o STF abafa os casos relacionados a Flávio Bolsonaro e à família presidencial em troca da colocação de uma focinheira na Lava Jato — mirando na estabilidade econômica da qual Jair Bolsonaro depende para se reeleger.

Hoje o governo Bolsonaro já se tornou viciado no MDB, que fornece o líder no Senado.

Investigado por corrupção, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) aprovou a reforma da Previdência e aprovará o nome de Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

A única aresta a aparar no acordão é a liberdade do ex-presidente Lula, que o STF não está disposto a conceder por considerar que, candidato, se elege presidente em 2022.

Para constrangimento geral dos colegas — aparente quando as câmeras da TV Justiça mostravam um ângulo mais aberto das imagens –, durante a sessão de hoje Gilmar enumerou as citações feitas por procuradores da Lava Jato a outros ministros, como Luiz Fux, Cármen Lúcia  e o relator da Lava Jato Edson Fachin.

As citações foram feitas em mensagens enviadas através do aplicativo Telegram, reveladas pelo site The Intercept Brasil e parceiros.

“In Fux we trust”, escreveu Moro, brincando com a frase que consta na nota do dólar — “em Deus acreditamos” — depois de receber mensagem de Dallagnol segundo a qual Fux amava incondicionalmente a Lava Jato.

Fachin “é nosso”, declarou Deltan depois de conversar com o relator que assumiu o lugar de Teori Zavascki, morto em acidente aéreo.

Cármen, por sua vez, seria “frouxa”, na avaliação de integrante da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Gilmar acusou Moro de ser o chefe informal da Lava Jato, afirmou que a operação utilizou prisões como forma de tortura.

Por isso, o ministro da Justiça de Bolsonaro não tem vaga em Corte Constitucional, disse Gilmar.

Moro vem sendo cogitado como vice de Bolsonaro em 2022, como forma de aplacar as divisões entre bolsonaristas e lavajateiros que agitam os bastidores do governo.

Se deixar o governo Bolsonaro, o ninho natural de Moro será compor com os tucanos, que terão Doria como candidato ao Planalto na próxima eleição.

O míssil disparado por Gilmar parece voltado a avisar Moro que ele não terá seu nome aprovado pelo Senado atual se tentar obter a próxima vaga aberta no STF, em 2020.

Em outras palavras, Gilmar encostou Moro na parede: ou sai do governo — e se une aos tucanos — ou fica e será fritado.

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