Com aumento dos gases de efeito estufa por desmatamento, Brasil deve descumprir Acordo de Paris

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Embora as emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil, que é o sétimo maior poluidor climático, tenham se mantido estáveis em 2018, o perfil das emissões brasileiras apontam que o país ainda não adotou uma política consistente para reduzir a liberação de GEE e nem irá cumprir a meta estabelecida para 2020 na lei nacional de clima, de reduzir em 80% a taxa de desmatamento na região da Amazônia. É o que mostram os dados da nova estimativa do SEEG, o Sistema de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, lançado na manhã desta terça-feira (5), que também aponta Pará, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Rondônia e Rio Grande do Sul como os seis principais estados brasileiros emissores dos gases que contribuem para a crise climática.

De acordo com o relatório, o setor de mudança de uso da terra, que inclui desmatamento, queima de resíduos florestais, aplicação de calcário e emissões indiretas da atividade agropecuária, foi o principal emissor de gases de efeito estufa (GGE) da economia brasileira em 2018 e representa o setor que mais teve aumento nas emissões. Ao todo, as mudanças no uso da terra corresponderam à 44% das emissões do Brasil no ano passado, representando 845 milhões de toneladas de CO2 equivalente (CO2e) dos gases lançados na atmosfera pelo país.

Segundo o SEEG, o valor é explicado pelas emissões derivadas da alta de 8,5% no desmatamento na Amazônia, que causou emissões brutas de 499 MtCO2, e pela compensação parcial gerada pela redução de cerca de 10,9% no desmatamento do Cerrado, que emitiu 168 MtCO2. Os estados brasileiros que mais emitiram gases de efeito estufa por meio do desmatamento foram o Mato Grosso, Pará e Rondônia, seguidos por Maranhão, Tocantins e Acre. O documento afirma que, nesse contexto, um cidadão do Pará, estado campeão de emissões e de desmatamento, emite quatro vezes mais GEE que um norte-americano.

Com base nos dados do setor de mudança de uso da terra no Brasil, o Observatório do Clima aponta no relatório que, mesmo que todo o desmatamento na região amazônica terminasse hoje, o aumento detectado pelo sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nos últimos meses coloca o país em um patamar superior aos 3.925 km2  desmatados estabelecidos na lei. “Com a meta de 2020 prejudicada, o país parte de uma posição pior para cumprir sua NDC, a meta do Acordo de Paris”, afirma o órgão.

Embora tenha tido uma pequena queda de 0,7% em relação ao ano de 2017, o setor agropecuário continua sendo o segundo maior emissor de GEE no Brasil. Em 2018, a agropecuária respondeu por 25% das emissões brasileiras e liberou 492,2 milhões de toneladas de CO2e na atmosfera. O documento afirma que as principais fontes de emissão direta da agropecuária são o rebanho bovino, o manejo de solos agrícolas, principalmente devido a aplicação de fertilizantes nitrogenados, o manejo de dejetos animais, o cultivo de arroz irrigado, e a queima de resíduos, como palha de cana-de-açúcar.

Fonte: Observatório do Clima

Segundo o SEEG, a pecuária representou 77% das emissões do setor agropecuário em 2018, sendo 69% promovidos pela pecuária de corte e 8% pela de leite. Já os fertilizantes sintéticos representaram 6% e os outros subsetores 17%.  Em 2018, os Estados de fronteira agrícola, como o Mato Grosso, que foi classificado como campeão em emissões na agropecuária, Pará, Rondônia e Acre, tiveram um aumento no rebanho bovino e no consumo de fertilizantes nitrogenados. Ao mesmo tempo, o documento afirma que o setor agropecuário num todo apresenta uma tendência de diminuição das emissões de gases de efeito estufa devido à diminuição do rebanho nacional.

A redução também é observada no setor de energia, que inclui as emissões geradas por todas as atividades que utilizam combustíveis fósseis. O setor teve uma queda de 5% e respondeu por 21% das emissões brasileiras em 2018, o que equivale a 408 milhões de toneladas de CO2e liberadas na atmosfera. Segundo o SEEG, a diminuição “foi causada por uma combinação de três fatores principais: o aumento do uso de biocombustíveis, em especial, o salto de 13% no uso de etanol nos transportes, com uma redução idêntica no consumo de gasolina; uma temporada de chuvas regular, o que reduziu o uso de termelétricas na matriz de eletricidade; e um aumento das renováveis, sobretudo, a eólica”.

Apesar da redução nos setores da agropecuária e de energia, o setor de processos industriais e uso de produtos, que engloba as emissões de GEE da indústria brasileira, apresentou um aumento de 1% em 2018 e respondeu por 5% das emissões nacionais. O mesmo aconteceu no setor de resíduos, que respondeu por 5% das emissões do país no ano passado. Segundo o documento, o crescimento de 1,36% acompanha mais de perto o aumento da população e a urbanização.

Fonte: Sul21

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