Ato cobra funcionamento 24h da Delegacia da Mulher em Pelotas

No último sábado dia 6, foi realizado um ato em defesa do funcionamento da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) 24 horas por dia, durante todos os dias da semana. O protesto ocorreu no chafariz do Calçadão, e foi organizado por movimentos sindicais e sociais e coletivos feministas, como uma extensão do 8M – Dia da Mulher. 

A pauta é uma reivindicação antiga, já que a Delegacia da Mulher nunca funcionou por 24h no município. Hoje, fica aberta apenas em horário comercial, de segunda a sexta, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h, na rua Barros de Cassal, 516/530. Devido a isso, muitas vítimas violentadas durante a noite ou nos finais de semana e feriados deixam de prestar queixa por não se sentirem confortáveis em ir à Delegacia de Polícia, onde os casos são caracterizados dentro de um conjunto de violências, sem uma abordagem específica e, muitas vezes, o atendimento é realizado por homens e tratado com descaso e desencorajamento. 

A DEAM tem como finalidade não apenas identificar e punir o agressor, mas acolher e amparar as vítimas, estimular denúncias e evitar que algo mais grave aconteça. Nesse sentido, o funcionamento integral e humanizado de delegacias especializadas é fundamental no apoio, prevenção e combate à violência contra a mulher. 

Dados da violência contra a mulher

O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). No Atlas da Violência 2018, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), dados apontam que em 2016 o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde (MS). Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa.

Em 2018, no Rio Grande do Sul, houve um aumento de 40,9% nos casos de feminicídio, em relação ao ano anterior. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado, divulgados em janeiro deste ano, 117 mulheres foram mortas. Em Pelotas, ocorreram 7 feminicídios, 51 estupros, 670 casos de lesão corporal e 1.011 ameaças a mulheres.

Fonte: Assessoria ADUFPel / Veja o vídeo abaixo Produzido pelo Coletivo Outras Vozes

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