Após crime da Vale em Brumadinho, 1,3 milhão de pessoas podem estar contaminadas por metal pesado

postado em: Sem categoria | 0

Nove meses após o crime da mineradora Vale, na cidade de Brumadinho (MG), cerca de 1,3 milhão de pessoas, que vivem nos 48 municípios cortados pelo Rio Paraopeba podem estar contaminadas com metais pesados. Os dados são de levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – o estudo mostra ainda que a população carece de assistência técnica e exames toxicológicos para verificar seu quadro de saúde. O último boletim divulgado pelo estado de Minas Gerais, em setembro, revela a presença do minério manganês acima do limite, no rio Paraopeba. A análise é de um ponto a 60 quilômetros de Brumadinho.

O contato com o manganês pode causar câncer, fraqueza muscular e motora, além de alterações neurológicas. O caminhoneiro Ailton Silva é um dos moradores da região onde a barragem da Vale se rompeu e matou 250 pessoas. Ele e outros ribeirinhos aguardam por exames toxicológicos para saber se estão contaminados.

“A princípio disseram para não usar água da cisterna, depois disseram que poderia. Todos meus vizinhos tiveram (presença de) alumínio e vários tipos de bactéria. Eles fazem análise de 15 em 15 dias, mas nunca vieram na minha casa. Há dois meses, apareceram manchas no meu corpo, que coçam e ardem. Eu troco o lençol da minha cama três vezes na semana, porque fica muito sujo de sangue”, relata, ao repórter Pedro Stropasolas, do Brasil de Fato.

Um balanço de Brumadinho mostra sobrecarga no sistema de saúde da cidade. Houve um aumento de 63%, em comparação a 2018. Além disso, foram registradas 39 tentativas de suicídio e o crescimento no uso de antidepressivos. A administração municipal projeta uma alta de R$ 15 milhões nos gastos com saúde, em 2019. Os recursos para cobrir o orçamento serão pagos pela Vale, por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público.

O secretário de Saúde da cidade, Júnio de Araújo Alves, teme as consequências para a população de Brumadinho, após o fim do acordo que tem validade de dois anos. “Quem trouxe esse desequilíbrio ao sistema foi a Vale. Então, no mínimo, qualquer diferença tem que ser coberta por ela, mas esse compromisso é de 24 meses. Esse problema do adoecimento mental vai durar por mais de dois anos. Fico preocupado com essas questões da nossa cidade após esse período.”

Em nota, a Vale informou que o atendimento psicossocial aos atingidos segue o planejamento desenvolvido pelo comitê de operações de emergência em saúde. A estrutura está vinculada à Secretaria Municipal de Saúde.

Fonte: Brasil de Fato

Deixe uma resposta