Viúva de Edward Said aponta necessidade de cobertura alternativa na questão palestina

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Ao Brasil de Fato, Mariam Said  relembra a perspectiva de seu companheiro de vida sobre a internet como ferramenta de informação; ataques de Israel à Gaza são legitimados pela grande mídia.

José Francisco Neto e Sâmia Gabriela Teixeira,

de São Paulo

Israel ainda tem um forte domínio sobre a grande imprensa mundial. Os termos usados como ‘conflito’ e ‘defesa’ deixam claro que, tendenciosamente, a mídia apoia os recentes ataques à Palestina. Por outro lado, hoje a internet é um meio alternativo que pode desconstruir essa linguagem. A avaliação é de Mariam Said, viúva do pensador palestino Edward Said, que esteve presente nesta terça-feira (22) na Reitoria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) para a inauguração da Cátedra de Estudos Pós-Coloniais, em homenagem ao seu marido.

“Edward já dizia do poder de Israel na mídia mundial. E ele também já dizia da internet como um meio alternativo. Acho que este espaço tem ajudado a possibilitar novos valores na opinião pública”, disse ao Brasil de Fato.

Para exemplificar o que Mariam relatou, basta olhar as estatísticas. O número de mortos palestinos na escalada de violência que segue para o seu décimo quinto dia no chamado ‘conflito’, por boa parte da imprensa, é de 600 civis, sendo que desses, mais de 160 são crianças. Por outro lado, 27 soldados e dois civis israelenses morreram.

Resistência Palestina

O povo palestino resiste como pode aos ataques de Israel. E essa luta que eles travam não é de hoje. Em 1987, quando ocorreu a Primeira Intifada – também chamada guerra das pedras -, que foi uma manifestação espontânea da população palestina contra a ocupação israelense, Mariam relembra que já havia, naquela época, os assentamentos construídos em “terras roubadas”. “Tudo isso não surgiu por medidas de segurança como eles costumam defender, mas para expropriar mais terras”, diz.

Gaza vive cercada até hoje sob ocupação israelense, que controla tudo ao redor da região. “Você pode estar em sua casa, mas o Estado de Israel controla suas portas, suas janelas e seu teto. Controlam tudo”, ressalta Mariam, que ainda reforça que o povo palestino não aceita mais esse controle. “A resistência começou em 87, e antes até, segue hoje e continuará até que o povo palestino possa determinar seu próprio futuro.”

Os palestinos em Gaza seguem aprisionados há anos, e agora, o Egito ainda concede 100% de apoio as ações de Israel.

“Se há expressões de resistência, e até de resistência violenta, nos revela que esta situação chegou ao limite”, desabafa.

Mariam-Said_reprodução

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