Vitória da luta: 800 trabalhadores da Volkswagen são readmitidos e greve é encerrada

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Fonte : Jornalismo B (Alexandre Haubrich)

Foto: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Após dez dias de greve em que houve adesão total dos 13 mil trabalhadores da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP), uma grande vitória foi obtida: os 800 funcionários que haviam sido demitidos no final do ano passado foram readmitidos. Com isso, a greve foi encerrada nesta sexta-feira (16), e a fábrica voltará a funcionar na segunda-feira. Segundo o site G1, a empresa também aceitou a proposta de reajuste do salário seguindo o aumento da inflação em 2016.

Em nota, a Volkswagen afirmou que a negociação levou a “uma proposta balanceada que possibilitará a adequação da estrutura de custos e efetivo da unidade”, e que “o resultado contempla a continuidade dos mecanismos de adequação de efetivo por meio de Programas Voluntários, com incentivo financeiro, e também ‘desterceirizações’ temporárias para alocação de parte do excedente de pessoal, entre outras medidas. Além disto, assegura a vinda de uma nova plataforma mundial de produto e modelos, solidificando as bases de um futuro sustentável para a Unidade Anchieta”.

Entenda o caso

Os trabalhadores da montadora da Volkswagen em São Bernardo do Campo estavam em greve desde o dia 6 de janeiro, depois que a empresa anunciou a demissão de 800 funcionários. A Volkswagen procurou justificar as demissões com o argumento de que houve queda nas vendas em 2014, mas descumpriu acordo assinado em 2012, que não permitia demissões sem negociação prévia com os trabalhadores. As demissões foram feitas nos últimos dias de 2014, quando os 800 funcionários estavam em férias coletivas e receberam um telegrama da empresa, com o aviso de que deveriam procurar informações na fábrica antes de entrarem na linha de produção. A decisão de entrar em greve por tempo indeterminado foi aprovada em assembleia por cerca de 7 mil trabalhadores e abrange os 13 mil metalúrgicos dos três turnos na fábrica.

A decisão da multinacional havia sido tomada após a negativa dos trabalhadores em aceitar a proposta do Plano de Proteção ao Emprego (PPE), que impunha a redução do salário como “moeda de troca” da manutenção dos empregos. Na ocasião o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC defendeu a proposta da empresa, mas foi derrotado pela assembleia da categoria. Já na assembleia que deflagrou a greve, o sindicato apoiou a decisão, mas voltou a defender o PPE como solução.

Mesmo com vendas em baixa, somente em 2013 as montadoras multinacionais enviaram para suas matrizes US$ 3,3 bilhões, valor 35% superior ao de 2012, sendo o setor campeão de remessas de lucros ao exterior. No período entre 2010 e 2013, o montante chegou a US$ 15,4 bilhões. O lucro não é alto por acaso: enquanto o governo brasileiro já gastou R$ 12 bilhões com as reduções de IPI e R$ 27 bilhões em desonerações de impostos para as montadoras nos últimos dez anos, a média da margem de lucro da venda de um automóvel no Brasil é de cerca de 10% do valor pago pelo consumidor final, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, esse índice é de cerca de 2%. A média mundial é de 5%.

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