R$ 100 mil para Visibilidade do negro no discurso do Museu da Baronesa (Por Dan Barbier)

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Na sexta-feira passada, 12 de julho, a prefeita Paula Mascarenhas recebeu, em Pelotas, o presidente do Instituto Brasileiro de Museus, Paulo Amaral, e a Secretária Estadual de Cultura, Bia Araújo. Na agenda, visita às melhorias implementadas no Museu Parque da Baronesa com recursos concedidos ao projeto “Visibilidade do negro no discurso do Museu da Baronesa”.

Contemplado com o valor de R$ 100 mil, o projeto é um dos 28 projetos aprovados no chamamento público nº 1 do Ibram, que instituiu a 4ª edição do edital de Modernização de Museus – Prêmio. O valor foi concedido a instituições museais que apresentaram iniciativas bem-sucedidas de modernização e preservação de seu patrimônio no período entre 2015 e 2018.

Aprovado entre 137 propostas, único museu do Rio Grande do Sul contemplado, o projeto pelotense é resultado de uma série de mudanças realizadas na expografia de longa duração do Museu Parque da Baronesa. Elas tiveram início em 2014, em decorrência das atividades relacionadas ao Dia do Patrimônio. 

Em sua segunda edição, realizada entre os dias 16 e 17 de agosto, o Dia do Patrimônio daquele ano, com tema “Herança cultural africana”, celebrou a diversidade étnica na região e a contribuição africana e afrodescendente na construção histórica de Pelotas. As reflexões, de acordo com o secretário de Cultura Giorgio Ronna, “fizeram com que a equipe percebesse que não era possível falar sobre os hábitos e costumes domésticos do período escravagista sem incluir os negros”. As mudanças realizadas, desde então, foram sensivelmente sentidas pela população. 

A premiação poderia ser utilizada no desenvolvimento de ações e estudos estratégicos para a modernização do museu, inclusive em iniciativas de gestão e sustentabilidade, no setor educativo, nas exposições, na atividade editorial e curatorial ou mesmo na capacitação de funcionários e gestores para atividades específicas no campo museológico. Contudo, a prefeitura orientou os recursos para reforma e ações de prevenção de riscos ao acervo do Museu, que, de acordo com a prefeita Paula Mascarenhas, “é tão importante para nós e possui um acervo tão raro e significativo”. 

Assim, com o valor, a prefeitura pôde trocar a rede elétrica do prédio e instalar novos equipamentos de proteção contra incêndio, incluindo sistema de alarme e detectores de fumaça, bem como sistema de segurança, como circuito fechado de câmeras e luminárias de emergência. Outros tipos de melhorias foram realizados nos cômodos do antigo Solar, como na ala dos quartos, já entregue à comunidade. O Salão Dona Sinhá, que identifica o antigo salão de festas do baronato e da aristocracia pelotense do séc. XIX, permanece em obras e receberá reparos nas rachaduras das paredes, novo reboco e pintura. 

Os resultados, tanto da visibilidade do negro no discurso do Museu da Baronesa, como da aplicação dos recursos do prêmio, podem ser conferidos numa visita ao Museu, reaberto no último dia 07 de julho, durante as atividades de celebração do aniversário de Pelotas, depois de oito meses fechado ao público. As visitas acontecem nas quintas e sextas-feiras, das 13h30 às 17h30, nos sábados e domingos, das 14h às 17h30.  O ingresso custa R$ 3,00.

Fonte: Dan Barbier ( Colunista da Site da RádioCom )

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