Política para Mães Universitárias está sendo construída na UFPel

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Com o objetivo de estimular a empatia, trazer reflexões e propor ações que efetivamente facilitem a vida das estudantes mães, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) deu início à sua Política para Mães Universitárias. A proposta surge da necessidade de garantir a permanência de jovens que precisam conciliar as exigências da maternidade e do estudo. As propostas envolvem aspectos que vão desde infraestrutura até sensibilização da comunidade acadêmica para a questão.

A coordenadora de Políticas Estudantis da UFPel, Rosane Brandão, destaca que, como espaço plural e democrático, a UFPel precisa se preparar para receber essas estudantes e garantir, além do acesso, estruturas para que consigam permanecer até a conclusão de suas vidas acadêmicas. Ela lembra que, além das exigências da vida acadêmica, que por si só, já representam grandes mudanças, harmonizar estudos e maternidade significa muito mais força de vontade. “Muitas dessas estudantes fazem esta jornada sozinha, acompanhada do rebento, sem apoio da família. E, sem dúvida alguma, enfrentam a realidade de um processo, ainda, marcado por uma tradição masculina, que não compreende e dificulta a conclusão desta etapa”, observa.

A proposta da Política já vem sendo debatida com as mães universitárias. No primeiro encontro, 28 pessoas participaram, trazendo dificuldades e angústias vivenciadas pelas mães que são discentes da universidade, sugestões e encaminhamentos para demandas.

Até então, a Coordenação de Políticas Estudantis – vinculada à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) – elaborou sugestões de ações esboçadas a partir de escutas prévias ao público-alvo.

Algumas dessas novidades, que já estão ocorrendo, são a prioridade na fila dos Restaurantes Universitários para mães com crianças e a autorização para os pequenos nos ônibus do Transporte de Apoio da Universidade. Os requerimentos podem ser feitos na página da PRAE.

Também já foi solicitada a compra de fraldários e cadeiras de amamentação, que serão instalados nos campi da UFPel em locais indicados pelas Unidades Acadêmicas, em espaço facilmente acessado por homens e mulheres.

Ainda dentro das propostas está a revisão de alguns programas de assistência estudantil, levando em consideração que as mulheres compõem um grupo em desvantagem em relação a permanência e, em alguns casos, desempenho, quando se encontram na condição de mães universitárias. Duas das condições para a permanência nos Programas, são, principalmente, a frequência e o desempenho acadêmico. “A tripla jornada de trabalho é uma realidade exaustivamente comprovada. Seria justo, portanto, que no caso de mulheres mães, o período de permanência pudesse ser estendido, levando em consideração o histórico acadêmico”, explicou. Garantir que durante o período de gestação e posterior a esse os Programas de Assistência Estudantil revoguem o dever de matrícula em todas as disciplinas do curso no semestre também é uma proposta.

Empatia e sensibilização
Outros pontos levantados pela proposta dizem respeito a facilitar a entrega de trabalhos estendendo o prazo e possibilidade de justificar eventuais faltas decorrentes de saúde do filho ou filha. Além disso, facilitar o direito a atividades domiciliares em caso de problemas de saúde da gestante, o que já é previsto em lei.

A Política propõe, ainda, mediação junto ao colegiado de curso, professor ou mesmo a turma, no caso da necessidade de que as crianças frequentem, na companhia da mãe, a sala de aula. “Não há restrições legais para que a estudante assista à aula acompanhada da criança. Embora a UFPel disponha de Auxílio Creche para mães em situação de vulnerabilidade socioeconômica, ainda assim, em alguns casos, se faz necessário para a mãe trazer a criança. A Administração Central incentiva que sejam facilitadas ações para que a estudante não abandone o Curso”, observa Rosane.

Priorizar atendimento psicológico e acompanhamento pedagógico às mães e propor palestras e relatos de casos, em todos os cursos ou Unidades também são ideias nessa linha.

A Política prossegue sendo debatida, necessariamente, com a participação das mães universitárias. Em breve novos encontros serão realizados. Interessadas podem fazer contato pelo e-mail cpe.prae.ufpel@gmail.com. “A maternidade não pode ser um peso, sendo planejada ou não. Filho não deve ser motivo de exclusão, da universidade, do mercado de trabalho ou do conhecimento”, pontuou.

Novidades nas bolsas de Inovação Científica e Tecnológica
A Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPPGI) apresentou uma novidade especial nos editais de bolsas de Iniciação Científica e Iniciação Tecnológica para o período 2019-2020. Trata-se da implementação de uma medida de caráter equitativo e inovador nas universidades brasileiras, voltada para pesquisadoras que usufruíram de licença maternidade e/ou licença adotante no período de avaliação curricular que abrange os editais (desde 2014).

Nesse caso, as pesquisadoras elegíveis terão computado um ano adicional de análise de produção para cada licença gozada no período. A medida também é válida para servidores do sexo masculino que usufruíram de licença adotante de seis meses. Saiba mais aqui.

De acordo com o coordenador de Pesquisa da UFPel, Marcos Britto Correa, a implementação dessa medida vai ao encontro da política institucional da UFPel, que busca valorizar o cuidado com os filhos em seu primeiro ano de convívio familiar e buscando conferir maior equidade ao processo, considerando a queda de produção acadêmica normalmente observada logo após o parto ou adoção dos filhos.

A UFPel é uma das primeiras instituições do Brasil a adotar a medida. No entanto, com a perspectiva dos cortes orçamentários que atingem as universidades federais, essas bolsas estarão condicionadas a esse impacto.

Fonte: ccs2.ufpel.edu.br

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