No Mato Grosso do Sul, famílias do MST sofrem despejo violento

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Fonte : Pulsar Brasil / MST

Foto : MST

Na madrugada da última quinta-feira (29), as cerca de 140 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), acampadas nas terras improdutivas da Usina Sucroenergética Agrisul Agrícola, no distrito de Quebra Coco, em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, foram surpreendidas com o batalhão de choque da Companhia de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais, grupo de elite da Polícia Militar. Os polícias alegaram estar cumprindo um mandato de desocupação da área e queriam dar apenas 15 minutos para as famílias deixarem o local. Segundo os Sem Terra, os policiais ameaçaram atear fogo nos barracos, onde vivem, em sua maioria, mulheres, crianças e idosos.

As famílias também relataram que durante o processo de desocupação, por diversas vezes, os acampados presenciaram cenas de preconceito dos policiais, ao utilizarem palavras de baixo calão e ao afirmarem que seria mais rápido “passar a patrola por cima de todo mundo”. Jornalistas que cobriam a desocupação foram acuados pelos policiais que não queriam mostrar seus rostos.

Um acampamento, próximo ao do MST, com cerca de 40 barracos, pertencente a outro movimento de luta pela terra, foi totalmente queimado pelos policiais. Na sequência, passaram um trator no local para esconderem as marcas do fogo, incluindo diversos pertences das famílias.

Segundo o MST, em nenhum momento desde quando se iniciou o acampamento, no dia 10 de janeiro, houve notificação judicial de desocupação da área. Todos ficaram sabendo da situação por notícias na imprensa. Com isso, as famílias não estavam preparadas para desocuparem o local e nem tinham planejado outro local para se abrigarem.

Em nota a direção estadual do MST questiona como os proprietários de uma Usina que está emergida em dívidas trabalhistas no Ministério Público do Trabalho, estimada em torno de um bilhão de reais, está na lista das empresas que  utilizaram trabalho escravo, consegue um mandato de desocupação em apenas alguns dias sem nem sequer cumprir os procedimentos legais de notificação, e ainda consegue um aparato policial de um batalhão de choque para coagir famílias que estão batalhando por seu sonho de construir uma vida digna.

O Movimento já tomou as medidas judiciais cabíveis para garantir a segurança das famílias, além de ter entrado em contato com órgãos nacionais de defesa dos direitos humanos, reforçando que o Estado não cumpriu com as normas da desintegração de posse acordadas com o governo federal.

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