Nessa sexta-feira bloqueio estadunidense a Cuba será reduzido

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Fonte : La Jornada

Tradução: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

O governo estadunidense reduziu significativamente o embargo do país contra Cuba, ao anunciar que a partir dessa sexta-feira (16) serão flexibilizadas restrições sobre o comércio, os investimentos e as viagens à ilha. Com as novas normas, os estadunidenses poderão usar seus cartões de crédito em Cuba e levar, na volta, pequenas quantidades de charutos cubanos, depois de uma proibição que durou meio século.

A nova regulação anunciada nesta quinta-feira pelo Departamento de Tesouro, que flexibiliza as normas para as viagens e o comércio com Cuba, servirá para “facilitar a crescente relação” entre os dois países, explicou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest. Essas mudanças também “permitirão imediatamente aos estadunidenses oferecer meios para estimular a população cubana a tornar-se menos dependente da economia estatal”, apontou Earnest em uma nota oficial.

O novo marco normativo reduz os requisitos para viajar a Cuba, e os turistas estadunidenses poderão, a partir de agora, utilizar seus cartões de débito ou crédito na ilha. De acordo com Earnest, o governo estadunidense acredita “firmemente que permitir um aumento das viagens, do comércio e do fluxo de informações desde e em direção a Cuba permitirá aos Estados Unidos avançar em seus interesses e melhorar a vida dos cubanos”.

Obama prometeu levantar parcialmente o embargo e começar a restaurar as relações diplomáticas, ao afirmar no mês passado que “esses 50 anos demonstraram que o isolamento não funcionou”. O acordo foi produto de 18 anos de conversações secretas, que culminaram no intercâmbio de agentes cubanos presos e na libertação de Al Gross, que esteve preso em Cuba durante cinco anos.

A aproximação súbita entre os dois adversários da Guerra Fria dividiu os legisladores independentemente de interesses partidários. Senadores de origem cubana, como o “democrata” Bob Menéndez e o “republicano” Marco Rubio proclamaram sua firme oposição. Ao mesmo tempo, os empresários elogiaram a medida por conta da oportunidade de abrir um novo mercado de exportação tão próximo aos Estados Unidos. O titular da Câmara de Comércio disse que seria melhor que os Estados Unidos vendessem computadores, telefones e automóveis a Cuba em vez de ceder terreno a Rússia e China. Mesmo assim, parece difícil que se levante totalmente o embargo em um futuro próximo.

A partir de sexta, as companhias estadunidenses poderão exportar telefones celulares, televisores, gravadores, computadores e software a um país notoriamente pobre em infraestrutura para internet e telecomunicações. Os estadunidenses que podem viajar a Cuba por razões familiares, assuntos oficiais, jornalismo, pesquisa, Educação, atividades religiosas e outros motivos terão uma permissão geral e não necessitarão pedir uma licença especial. O limite sobre as remessas a familiares em Cuba se elevará de dois mil dólares anuais para oito mil dólares. Os estadunidenses poderão levar de Cuba produtos alcoólicos e de tabaco no valor de cem dólares e de outros produtos no valor de 400 dólares no total.

Outras mudanças:

– Se eliminam os limites sobre o dinheiro que os estadunidenses podem gastar diariamente em Cuba e no que gastam;

– Se permite o uso de cartões de crédito e débito;

– Os agentes de viagem e as companhias de aviação podem voar para Cuba sem licença especial;

– As companhias de seguros podem vender seguros de saúde, vida e viajem a indivíduos que residem em Cuba ou viajam para lá;

– As instituições financeiras poderão abrir contas em bancos cubanos para facilitar as transações autorizadas;

– Se poderá investir em pequenas empresas e operações agrícolas;

– As empresas podem enviar materiais de construção e máquinas a empresas privadas cubanas para renovar edifícios privados.

Os dois países preveem realizar conversações sobre migração em Havana na próxima semana, passo seguinte do processo de normalização das relações. A delegação estadunidense está encabeçada por Roberta Jacobson, a principal diplomata para a América Latina. Mais adiante se prevê a reabertura da embaixada em Havana, a realização de intercâmbios de visitas de alto nível e entre os governos. O secretário de Estado John Kerry poderia viajar à ilha nos próximos meses.

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