MARIELLE VIVE : A transformação social no legado da luta de Marielle (Por Carlos Cogoy)

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Na véspera do primeiro ano do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), brutalmente executada no Rio de Janeiro, bem como o seu motorista Anderson Gomes, intensificam-se as mobilizações que estarão lembrando o seu exemplo de luta pela transformação social. Em Pelotas, amanhã acontecerá programação a partir das 17h30min no chafariz do Calçadão. A vereadora pelotense Fernanda Miranda (PSOL), estará presente e convida a população para prestigiar o ato que estará recordando, mas também cobrando justiça, e ressaltando o legado da mulher, negra, homossexual, cujo primeiro mandato foi interrompido de forma violenta. Fernanda conheceu Marille, e comenta sobre a convivência que teve com a liderança da periferia carioca. Além disso, também menciona sobre a prisão, realizada ontem, de dois envolvidos no crime.

Luciana Boiteux, Marielle Franco e a vereadora pelotense Fernanda Miranda

Luciana Boiteux, Marielle Franco e a vereadora pelotense Fernanda Miranda

ENCONTRO – A vereadora Fernanda Miranda observa: “Conheci a Marielle em 2016, no Encontro Nacional dos Parlamentares eleitos pelo PSOL nas eleições municipais. Lembro de ficar muito feliz em poder estar no mesmo espaço de figuras como ela, que ainda conhecia pouco. Mas, após as eleições, o primeiro contato que tive com a Marielle foi, quando ela, percebendo que eu estava triste por estar longe do meu filho, toda orgulhosa, mostrou uma foto de sua filha pelo celular. Então conversamos sobre a nossa condição de mãe e vereadora, nossos medos e angústias”.

COLETIVO – Acerca da afinidade política, diz a parlamentar: “Em dezembro de 2016, lançamos a Bancada Feminista do PSOL, com o objetivo de pensar ações conjuntas das parlamentares eleitas pelo partido, onde também trocávamos ideias de leis, e a luta que cada uma travava nos seus municípios. Um dos grandes projetos aprovados em Pelotas, contra a violência sexual e o assédio, foi baseado em uma lei proposta pelo mandato da Marielle no Rio de Janeiro”.

LUTADORA social, observa Fernanda Miranda: “Marielle, uma mulher potente, firme e muito inteligente. Uma pessoa admirável pelo caráter, pela história de vida, e por tudo que representava: uma mulher negra, da periferia, mãe lésbica, de esquerda. É um orgulho pra qualquer pessoa que sonha com uma sociedade justa, poder lutar ao lado de Marielle”.

LEGADO – Acerca do legado de Marielle, a vereadora acrescenta: “Foi exemplo de enfrentamento a esse sistema que nos aniquila, que mata principalmente quem está mais vulnerável: a população negra, a periferia, as mulheres e os LGBTs. Marielle era uma mulher que não se intimidava, que mostrava que a luta da esquerda é pela transformação social, pela radicalidade, sem perder de vista que lidamos com seres humanos, com sonhos, com vida. Era contra a intervenção no Rio, contra as práticas militares e denunciava isso sempre. Mas, ao mesmo tempo, mostrava os caminhos através da resistência, da cultura, da educação e, apesar de grande crítica às práticas policiais, lutava pela dignidade humana dos policiais, trabalhadores que estão na ponta do profundo problema social que é a segurança pública. Era uma verdadeira lutadora dos direitos humanos”.

MANDANTE do crime ainda não é conhecido, mas há indícios que chegam até o Palácio do Planalto. Fernanda avalia: “Pois então, às vésperas de um ano de seu assassinato e de seu motorista, Anderson Gomes, a polícia identifica os executores de suas mortes. Contudo ainda não sabemos quem mandou matar Marielle. Essa pergunta exige uma resposta urgente. Não descansaremos enquanto todos os envolvidos não tenham sido identificados e julgados na forma da lei. É pela vida da nossa companheira, e por seu legado. É pela democracia. Marielle é semente”.

Marielle Franco

MARIELLE Francisco da Silva (1979/2018), foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro em 2016. Defendendo a democratização do debate e ações para as mulheres, negros, LGBTs, e periferia urbana, ela recebeu mais de 46 mil votos. 

Ela começou a trabalhar aos onze anos, foi mãe aos dezenove. Aos vinte, quando perdeu uma amiga numa “bala perdida”, passou a interessar-se pelos direitos humanos. Bolsista do Prouni, formou-se em ciências sociais na PUC/RJ. O mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), foi sobre o Complexo da Maré e o Estado penal brasileiro. Durante dez anos foi assessora do então deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Fonte: Diario da Manhã ( Carlos Cogoy)

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