Fórum Internacional de Software Livre tem mais de 500 horas de atividades, e de olho no Marco Civil

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A partir desta quarta-feira (7), ocorre em Porto Alegre a 15ª edição do Fórum Internacional de Software Livre (FISL15), no Centro de Eventos da PUCRS (Av. Ipiranga, 6681). Sob o tema central Segurança e Privacidade: o software livre na lua contra a espionagem, os quatro dias do evento terão mais de 500 horas de programação, voltadas sobretudo para o debate em torno do conhecimento livre, em termos de software, hardware e das redes.

O FISL tem a característica de discutir os principais assuntos relacionados à Tecnologia da Informação (TI) e a aplicabilidade dela no cotidiano. Esta 15ª edição é marcada pelo momento de implantação do Marco Civil da Internet – Lei nº 12.965, promulgada no último dia 23 de abril – que começou a ser discutido ainda na 10ª edição do evento, em 2009, onde, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criou-se um grupo de trabalho para começar a pensar e discutir as determinações do Marco Civil.

Conforme expõe o coordenador geral da Associação Software Livre.org, Ricardo Fritsch, o Marco Civil da Internet foi construído da mesma forma que é construído um software livre: de maneira colaborativa. Diversas pessoas, entidades e organizações civis participaram da construção de cada um dos artigos que compõem as regras de direitos e uso da internet dentro do território brasileiro.

Dentre os aspectos que a lei regula, uma delas é a questão de neutralidade de rede, que dá conta do transporte de dados (informações) todos na mesma velocidade, e não de pacotes de serviços específicos e com velocidades distintas na internet (e, com isso, claro, os preços), o que era o desejo das operadoras de telefonia, e que limitaria o acesso livre do usuário. Os dados trafegando todos na mesma velocidade, garantem que se possa ter acesso a qualquer endereço na web, sem regulações. “A questão da neutralidade de rede foi uma batalha enorme da sociedade civil em relação às operadores de telefonia. As operadoras queriam transformar a internet numa espécie de tv a cabo”, define. “A internet nasceu livre. E precisa continuar livre. O conceito de neutralidade garante isso”, acrescentou Fritsch.

Um dos responsáveis pela programação do evento, Deivi Kuhn salientou que, neste caso, com a promulgação da lei, o Brasil se coloca na vanguarda mundial destas discussões. “Enquanto, por exemplo, a lei norte-americana permite que qualquer órgão de polícia possa ir direto acessar os dados das pessoas, sem passar por nenhum meio judicial, o que é uma lei completamente na contramão da democracia e dos direitos humanos, a lei do Marco Civil reforça e torna muito claro que ninguém pode ter o acesso a dados sem esse tipo de processo. Isso é uma questão bastante árida, mas tem uma implicação de liberdade civil e direitos humanos muito forte”, acrescentou.

São esperados 8.000 participantes. O FISL15 vai até o dia 10 de maio.

Programação

Neste ano, deixando de lado o tradicional “livrão” impresso distribuído com os horários das atividades, a programação completa pode ser conferida apenas na internet, através do site, ou do aplicativo FISL15, disponível para download gratuitamente no Google Play.

Dentre os destaques da programação, estão duas atividades envolvendo uma empresa de nome conhecido do grande público, o Facebook. Nesta quarta-feira (7), às 14h, a administradora de sistemas do Facebook, Fernanda Wieden, falou sobre a relação da TI com as mulheres, com o objetivo de incentivar as mulheres no desenvolvimento e implantação de sistemas de larga escala e de como o facebook trabalha com software livre. O engenheiro gaúcho, também funcionário do Facebook, Marlon Dutra, irá falar, no dia 9 de maio, às 10h, na sala 40T, sobre os problemas de performance que ocorrem quando um sistema é composto por diversos servidores e serviços diferentes. Ele irá compartilhar dicas e demonstrar como o Facebook lida com esses problemas, pensando nos reais motivos para a ocasional lentidão da rede social.

Há também discussões sobre padrões abertos de documentos (Open Document Format), a moeda digital, batizada de Bitcoin (o assunto é trazido pelo ativista da liberdade na rede e Usuário GNU/Linux desde 99, Wladimir Crippa, no dia 8, às 16h), Energia Elétrica Livre, Robótica, a Rodada Hacker, que propõe às mulheres que se sintam incentivadas a participar de atividades técnicas ligadas à internet. Além do GT Educação Espaço Paulo Freire, que traz atividades sobre educação e educomunicação, voltadas para professores, pesquisadores e estudantes. E o InvestForum, um projeto da Associação Software Livre.Org para impulsionar a realização de negócios, com a integração entre os projetos de novos empreendedores e os investidores.

Dos convidados estrangeiros, o FISL traz o eslovaco Fridrich Strba, que trabalhou durante anos com código base do LibreOffice e que atualmente contribui para trabalha para SUSE em SUSE Linux Enterprise; o francês Kévin Ottens, PhD em inteligência artificial, e experiente desenvolvedor na comunidade KDE, contribui com uma forte ênfase no design de API e arquitetura de frameworks; o também francês Jérémie Zimmermann, co-fundador da La Quadrature du Net (Squaring the Net) e vice-presidente de April, uma organização não-governamental francesa que promove o Software Livre; e os norte-americanos Sascha Meinrath, que é um dos pioneiros nas comunidades e cultura da internet, diretor da Open Technology Institute e vice-presidente da New America Foundation; e Jon “maddog” Hall, diretor executivo da Linux Internacional.

Fonte: Sul21FISL

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