FALANDO DE ESCRAVIDÃO ( Por Álvaro Barcellos )

Uma das questões que sempre ganham destaque na grande imprensa no mês de maio é o dia 13, em alusão à abolição da escravatura ou lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, em 1888.

Ocorre que quando se deu a abolição, os escravizados e suas famílias foram simplesmente JOGADOS – com todo peso de discriminações e preconceitos alimentados no transcorrer do processo histórico. Ou seja, os homens e mulheres antes escravizados eram naquele momento abandonados “livremente” em uma sociedade que não se mostrava disposta a acolher “essa gente”. Porque havia todo um discurso rançoso e recheado de ódio, medo, vício – resultantes de tanta crueldade e dor que regimes totalmente indignos e manchados com sangue negro como aquele havia deixado em seu triste rastro.

Por essa e outras razões, os negros mais conscientes que até hoje se organizam para debater os rumos da sociedade e do mundo não se consideram contemplados pela data em questão. Ao contrário, olham com carinho e respeito para o 20 de novembro, em homenagem a ZUMBI dos Palmares…o dia da CONSCIÊNCIA NEGRA!

As condições terríveis a que eram submetidos os negros trazidos da África para tornar-se mão de obra escrava eram algo de uma perversidade impressionante.

Os senhores brancos que habitavam a Casa Grande levavam uma vida repleta de conforto (em alguns casos, de luxo mesmo); já os negros que habitavam a Senzala conheciam a humilhação, a pobreza, a dor e o medo intimamente. Eram submetidos a perseguições, torturas, chibatadas e toda ordem de atrocidades…“senhor Deus dos desgraçados!/ Dizei-me vós, senhor Deus!/ Se é loucura.. verdade/ Tanto horror perante os céus…” bradava o poeta Castro Alves.

Inúmeras são as razões pelas quais os brancos (costumeiramente invasores de outras terras) herdam imensa DÍVIDA em relação aos povos invadidos. O que vale por exemplo para os nativos indígenas das Américas e para os africanos arrancados de sua terra para servirem de mão de obra escrava aos senhores de outros continentes e nações.

As correntes nos pés, nas mãos, e até no pescoço, como se vê em várias ilustrações, não são ficcionais: era isso mesmo! Um quadro pavoroso de escancarada DESUMANIDADE.
Até hoje, sobretudo em fazendas Brasil afora surgem denúncias de trabalho escravo. Onde uns poucos sujeitam outros pobres homens e mulheres a uma série de condições inaceitáveis, abomináveis.

A EXPLORAÇÃO não conhece limites. E vários desses “homens” que sujeitam outros tantos se dizem homens DE BEM – o que me parece significativo.
Pois bem, em breve falaremos também sobre uma espécie de neo escravagismo, que se anuncia no horizonte acinzentado a partir da supressão de Direitos trabalhistas e previdenciários e com ameaça ao futuro da Justiça do Trabalho e de Associações e Organizações Sindicais a que podiam os trabalhadores recorrer.

Diremos sempre NÃO! NÃO à EXPLORAÇÃO do HOMEM pelo HOMEM! E, claro, SEMPRE e SEMPRE nosso sonoro NÃO à ESCRAVIDÃO!! Viva ZUMBI.
Somos pela VIDA PLENA. E pela EMANCIPAÇÃO da HUMANIDADE.

Fonte: Álvaro Barcellos – Colunista RádioCom

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