Em carta Fiocruz agradece e se solidariza ao ex-presidente Lula pelo apoio marcante em seus governos

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Ex-presidentes da Fiocruz e presidente da Asfoc agradecem e se solidarizam com Lula em carta aberta.

Após receber mensagem enviada pelo ex-presidente Lula ao 12º Congresso Brasileiro de Saúde Pública (Abrascão), o presidente da Asfoc (Associação dos Servidores da Fundação Oswaldo Cruz), Paulo Garrido, e os ex-presidentes da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), Paulo Gadelha, Paulo Buss, Carlos Morel, Euclydes Castilho, Luiz Fernando da Rocha Ferreira, da Silva e Akira Homma, endereçaram a Lula carta aberta de agradecimento pelo grande apoio à Fiocruz durante os seus mandatos na Presidência da República. Além disso, também, manifestaram solidariedade diante do tratamento injustificável e adversidades que Lula vem enfrentando.

Segue o texto da carta:

 

Prezado Presidente Lula,

Foi com um misto de alegria e emoção que no último 27 de julho, a comunidade da Fiocruz recebeu a sua carta, lida pelo ex-ministro Alexandre Padilha, na sessão de debate entre pré-candidatos à Presidência da República promovida pelo Conselho Nacional de Saúde, por ocasião do 12º Congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, realizado na nossa instituição, em Manguinhos, no Rio de Janeiro.

Por ser um evento de grande relevância, científica e de afirmação das políticas públicas de saúde e do SUS, com mais de 7 mil participantes de todo o Brasil e convidados de outros países, suas palavras fortaleceram o ideário de todo o campo da saúde coletiva.

Nós, ex-presidentes da Fiocruz, ao lado do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (ASFOC – Sindicato Nacional) e, com certeza, expressando o sentimento de um amplo conjunto de pesquisadores, tecnologistas e técnicos, profissionais das diversas áreas de atividade e conhecimento que compõem a equipe da Fiocruz, agradecemos as menções de reconhecimento e estímulo à nossa instituição contidas no seu pronunciamento.

Ao mesmo tempo, expressamos a nossa irrestrita solidariedade neste momento tão difícil, à sua luta por justiça, em defesa do respeito à Constituição, ao Estado de Direito e à Democracia e pela convicção do seu direito de candidatar-se à Presidência da República.

Faz-se também imprescindível que externemos o nosso público agradecimento pelo decisivo apoio, materializado em ações, políticas, medidas concretas e investimentos que a Fiocruz recebeu durante os seus mandatos como Presidente da República.

Ainda estão vivas em nossa memória as muitas visitas que nos fez durante o seu período na Presidência da República, como em 05 de agosto de 2004, quando em tocante cerimônia nas escadarias do Castelo de Manguinhos recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Fiocruz, concedido por unanimidade por nosso Conselho Deliberativo, ocasião em que manifestou seu profundo compromisso com as instituições de Estado, como a Fiocruz e manifestou em seu discurso:

 

“Como qualquer instituição pública, a Fundação Oswaldo Cruz venceu muitos desafios em sua história, ora por falta de atenção do governo federal, ora por não contar com as verbas que seriam necessárias para que seu trabalho fosse desenvolvido ou simplesmente mantido de forma adequada. (….) E nos últimos anos, resistiu a um falso consenso que queria o Estado mínimo e fraco…”

 

Para além dos discursos, as ações do seu governo de apoio ao desenvolvimento da Fiocruz foram concretas e estruturantes, como a autorização de concursos públicos que permitiram a recuperação do nosso quadro funcional com o ingresso de 2.450 novos servidores entre 2006 e 2010 e outros 400 em 2014 (já no Governo da Presidenta Dilma), como o incremento do nosso orçamento, como a expansão de nossas plantas de produção de fármacos e imunobiológicos e a consolidação do projeto da presença nacional da Fiocruz, como a nossa decisiva participação no programa Farmácia Popular e a nossa convocação para participar em importantes atividades de formação de quadros profissionais para o SUS e em inúmeras missões internacionais junto ao G-20, Nações Unidas, Mercosul, BRICS, CPLP.

Somos uma instituição centenária, entranhada na própria história da República.

Para além dos governos, somos uma instituição de Estado, que nasceu e se reinventou em momentos definitivos da nossa história reconhecendo a íntima relação entre ciência, tecnologia e inovação, saúde, desenvolvimento e projeto de nação.

Assim sendo, aprendemos que a saúde de um povo, mais do que a imprescindível, necessária e efetiva assistência de qualidade, é resultante de inúmeros determinantes sociais, das reais condições de vida das populações e que as políticas de saúde são essenciais para um projeto nacional de desenvolvimento inclusivo e sustentável.

E com esse olhar, reconhecemos, sem dúvida, que seu governo e também o da Presidenta Dilma atuaram de forma importante sobre esses fatores, promovendo fortemente políticas públicas de inclusão social, com a expansão do emprego e da renda para os setores menos favorecidos da sociedade, com programas como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, implantação de milhares de cisternas em toda a região do Semiárido, com a retirada de milhões de famílias do mapa da fome, com a redução expressiva da mortalidade infantil.

Promoveram também uma importante melhoria na assistência, com a implantação da Farmácia Popular, a expansão do Saúde da Família, com o Mais Médicos, a Rede Cegonha, a permanência e incremento dos programas de imunização, o SAMU, entre outros.

Muitas novas oportunidades foram criadas também na educação, na formação profissional e no estímulo ao crescimento do número de mestres e doutores, com a criação de novas universidades públicas por todo o país, com a ampliação da rede de escolas técnicas, com a consolidação da política de cotas, com o Prouni e o Fies, com o Ciência Sem Fronteiras, com as políticas afirmativas de gênero e raça.

Reconhecemos também o vigor da política internacional forjada em seus mandatos, centrada na solidariedade entre os povos, na soberania nacional, na superação das assimetrias econômicas e de poder entre regiões e países, na incessante busca pela paz e na defesa intransigente da redução de inequidades sociais e do desenvolvimento sustentável.

São valores muito caros à Fiocruz e que orientam sua atuação nas relações internacionais e na saúde global.

Foi seu empenho pessoal na valorização da cooperação sul-sul, para citar casos exemplares desses princípios, que possibilitou a instalação da fábrica de medicamentos de Moçambique (Sociedade Moçambicana de Medicamentos) e a criação da Rede de Bancos de Leite Humano, dois destaques reconhecidos internacionalmente, em que a Fiocruz foi protagonista central.

Queremos aqui, fazer presente o nosso reconhecimento e dizer-lhe que continuamos inabaláveis na defesa de um projeto nacional soberano e com justiça social, no direito à saúde, como princípio de cidadania e da democracia, e na plena realização dos princípios do SUS, inscritos em nossa Constituição.

Acreditamos que o mais importante neste momento é manifestar nossos votos de muita energia, saúde e paz para enfrentar uma adversidade tão grande e um tratamento tão injusto.

Mais do que nunca, precisamos que a justiça seja garantida e a democracia seja plenamente exercida no nosso país.

Com um forte abraço,

Paulo Gadelha – Presidente da Fiocruz – 2008 -2016

Paulo Buss – Presidente da Fiocruz – 2000 – 2008

Carlos Morel – Presidente da Fiocruz – 1992 – 1997

Euclydes Castilho – Presidente da Fiocruz – 1992

Luiz Fernando da Rocha Ferreira da Silva – Presidente da Fiocruz – 1990

Akira Homma – Presidente da Fiocruz – 1989 – 1990

Paulo Garrido – Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc – Sindicato Nacional)

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