Documento da Aeronáutica mostra que Bolsonaro mentiu sobre pai do presidente da OAB

O documento secreto RPB 655, elaborado pelo Comando Costeiro da Aeronáutica, mostra que Jair Bolsonaro mentiu, ao dizer, nesta segunda-feira (29), que Fernando Santa Cruz foi morto por militantes de esquerda. O relatório militar comprova que o pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, foi preso pelo regime em 22 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro.

Há outros relatos que desmentem a versão de Bolsonaro para o fato. No livro “Memórias de uma Guerra Suja”, o escritor Marcelo Netto, ex-marido da jornalista Miriam Leitão, é descrito que Fernando foi morto, em 1974, pelos militares, em um local que ficou conhecido como “Casa da Morte”. O imóvel ficava na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

A existência do local se tornou pública com as denúncias da única sobrevivente ao local: Inês Etienne Romeu, ex-dirigente da organização VAR-Palmares. Ela foi presa, estuprada e torturada por mais de três meses na propriedade. Acabou por ser solta e a primeira a falar da Casa.

Corpo incinerado

No livro, o ex-delegado Cláudio Guerra, que trabalhou na máquina de tortura do governo militar, confirma que Fernando Santa Cruz foi um dos que passaram pelo local. “Em depoimento à CNV, o ex-delegado Cláudio Guerra disse que o corpo teria sido incinerado na Usina Cambahyba, em Campos”, afirma documento produzido pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).

“Tinha o Santa Cruz, que era jovem, veio para o Rio de Janeiro. De onde eu obtive as informações? Com quem eu conversei na época, ora bolas. Conversava com muita gente. E o pessoal da AP do Rio de Janeiro ficou, primeiro, ficaram estupefatos, ‘como é que pode esse cara vir do Recife se encontrar conosco aqui?’. O contato não seria com ele, seria com a cúpula da Ação Popular de Recife. E eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz. Essa é a informação que eu tive na época sobre esse episódio”, disse Bolsonaro.

Fonte: Revista Fórum

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