Dia Nacional de Luta reúne manifestantes no centro de Pelotas

Por Filipe Cerqueira, Mariana Hallal e Marina Amaral


O dia 15 de março ficou marcado como o Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência. Na cidade de Pelotas, o protesto reuniu cerca de 250 pessoas no calçadão da cidade. O clima era de revolta: cartazes ditavam palavras de ordem contra a PEC 287/2016, que regulamenta as mudanças previdenciárias. Diversas centrais sindicais marcaram presença no ato.

Centrais sindicais marcaram presença na manifestação (Foto: Eduardo Silveira de Menezes)

As professoras Mari e Ledeci, ambas da rede estadual de ensino, estavam no protesto lutando por seus direitos. A categoria está em greve desde a última quarta-feira (15). “A greve se faz com mobilização, com ação. A escola fecha e a sensação da comunidade é de que os professores resolveram parar de trabalhar, mas não é isso. A mídia fica batendo em cima disso, sempre questionando o prejuízo dos alunos. Mas, o prejuízo dos alunos pelo que eles não estão recebendo devido à falta de investimento do governo não aparece na mídia”, desabafa Mari. As duas concordaram que só a luta transforma: “Eu entrei no estado em 2001 e desde lá eu faço greve. Todas as conquistas que o magistério teve nessa última década foi em função da mobilização dos professores. Se não tivéssemos feito mobilização, nós não teríamos conquistado o piso nacional, que hoje é lei. Mesmo não recebendo, essa é uma conquista que nós tivemos a partir das greves. No mundo, todas as conquistas que existiram foram a partir da mobilização. Os governos se habituaram a aceitar a transformação somente a partir da mobilização”, diz Ledeci.

“A transformação que a gente quer do mundo passa pela atitude da gente” – Mari.

Os trabalhadores e trabalhadoras da CEEE foram lutar contra a privatização da estatal. Segundo Fabrício Bentes, funcionário da companhia, a CEEE deve ser pública porque “ela trabalha com energia, que é algo vital para o desenvolvimento das cidades. Como uma empresa pública, a CEEE investe em setores que a empresa privada não investiria. Leva energia para comunidades que uma empresa privada não levaria porque não teria retorno. A CEEE não pensa em retorno, pensa em qualidade para a população”.

Cerca de 250 pessoas foram ao Calçadão de Pelotas protestar contra a Reforma da Previdência (Foto: Eduardo Silveira de Menezes)

Cidadãos que passavam pelo local também compartilhavam o sentimento de indignação a respeito da reforma da previdência. A dona de casa Nara Regina de Freitas disse que achou “ridículo” o modo como está proposta a reforma. “Pra que aquele monte de homem lá sentado, cheios de dinheiro, se o dinheiro podia estar dentro do hospital? São 500 deputados, mais senadores. Pega todo esse dinheiro que aquele monte de homem ganha e bota lá na Santa Casa, no Pronto-Socorro onde as pessoas dormem no chão”, confidencia. Sobre o governo Temer, ela diz que o presidente é um “fantasma”. “A gente tem que analisar o que foi feito. Até agora, tudo o que tem aí é do Lula. Ele deu a oportunidade dos jovens crescerem, fazerem uma faculdade. O temer tá fazendo o que? Tá dando uma de bonzinho em cima do que a Dilma fez”, avalia. “A Dilma foi excluída porque ela errou. Mas quantos erraram e não foram? Quantos tão aí usufruindo de todo aquele poder pra não fazer nada? Pelo menos ainda não provaram nada contra ela. Incompetência? E quem é competente no meio daquele monte de sem-vergonhas que tão só querendo prejudicar a vida das pessoas? Aquela Câmara [dos Deputados] toda programada pra acabar com a Dilma. Mudou o quê? Nada”, afirma Nara Regina a respeito do Impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff.

O Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência encerrou com um ato unificado, às 17h, no largo do Mercado Público, e também reuniu centenas de pessoas.

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