DESMONTE DOS BANCOS PÚBLICOS AGRAVARÁ CRISE ECONÔMICA, AVALIAM ESPECIALISTAS

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Diante dos sinais de privatizações de bancos públicos, o economista Marcio Pochmann afirma que o governo Jair Bolsonaro não acredita no Estado e vai procurar destruir qualquer possibilidade do Estado influenciar no desenvolvimento do país.

“Com a Caixa perdendo a sua função de fomento, de desenvolvimento, só vão sobrar os bancos privados que querem retorno a curto prazo”, diz. “O governo Bolsonaro tem o discurso ideológico de que o mercado resolve, mas os bancos privados só querem retorno imediato”, acrescenta.

O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou nesta segunda-feira (7) que os juros do crédito habitacional para classe média serão de mercado – este segmento da sociedade pagará mais caro para o financiamento da casa própria.

Pochmann explica que, em 2014, praticamente não houve crescimento, e de lá para cá, o país estagnou com o ilegítimo Temer no poder. A produção industrial brasileira atual é 10% do PIB, enquanto em 2013 era de 15%. Com isso, a economia do país não tem dinamismo próprio e depende do mercado externo.

“Um país que fica dependente do mercado externo e não oferece a possibilidade de voltar a crescer na sua base interna, dificilmente sairá da crise econômica. E com as recentes declarações da equipe econômica do atual governo, a situação tende a se agravar”, diz. Os relatos foram publicados pela CUT.

Para a representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal (CEF), Rita Serrano, igualar a Caixa aos bancos privados é uma política que só interessa aos banqueiros.

“É uma política ruim para o país, para o desenvolvimento, porque quando a gente fala em habitação não tem a ver só com o cliente que vai buscar o financiamento, a cadeia da construção civil, que é uma das mais importantes geradoras de emprego e de desenvolvimento do país, será duramente afetada”, continua. “O governo, ao invés de criar uma política para que os bancos privados, que são concessões de governo, tenham políticas voltadas pra financiamento habitacional e outras áreas de desenvolvimento do país, faz a Caixa deixar de cumprir sua função de banco público como fomentador do desenvolvimento do país”, critica.

Para Marcio Pochmann, diante dessa medida, o governo de Bolsonaro condena o setor da construção civil a conviver com grandes dificuldades. “Quando há retração da demanda da construção civil não há possibilidade do país voltar a crescer como foi feito no governo Lula. Somos um país ainda em construção que depende muito desse segmento, de crédito habitacional, de grandes obras, que também foram paralisadas pela Operação Lava Jato, com a desconstrução dos grandes grupos econômicos”, afirma.

O economista lembra, ainda, o papel importante que a Caixa e os demais bancos públicos desenvolveram em 2008, durante a crise econômica internacional, para que o Brasil não fosse afetado duramente como foram outros países do mundo, ao fomentar o acesso da população ao crédito mais barato, e o incentivo à construção civil, com programas como o Minha Casa, Minha Vida, dinamizando assim a economia.

“Pela lógica do mercado financeiro boa parte da população terá dificuldades de inclusão na economia, de acesso a um padrão de vida decente”, conclui.

*Com informações da CUT / 247

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