democracia em vertigem (cria corvos e eles vão te cegar) (por enilton grill)

“um homem não é outra coisa senão o que faz de si mesmo”, dizia sartre. com o que, aliás, concordo plenamente. tenho até uma imagem a qual sempre recorro quando quero explicar sartre (sem dizer que tô explicando sartre)… se é que me entendem…

quando confrontado com as mazelas originárias das minhas escolhas, devo apontar o dedo para mim, e não para os outros. o dedo apontado para mim, por mim mesmo, simboliza a consciência de saber-me responsável pelas escolhas que fiz. e as escolhas que fiz são decorrência da reunião dos fatos que compõem a minha existência.

simples assim. é assim que entendo o existencialismo, corrente de pensamento fundada por kierkegaard, depois, mais tarde, aprofundada e radicalizada por sartre.

mas há uma diferença fundamental, kierkegaard era um existencialista cristão, sartre, não.

não sei se deus existe ou não. uns acham que sim, eu acho que não. o maior dilema, no entanto, na minha opinião, não é a existência de deus e, sim, os homens admitirem as suas responsabilidades diante de seus atos.

nietzsche dizia que cada um tem que escolher quantas verdades consegue suportar. pois então, eu, muito antes do GOLPE acontecer, já dizia: cria corvos e eles vão te cegar.

é verdade, o documentário é imprescindível e hipnotizante, como diz cartaz. a verdade, no entanto, nunca é uma só. democracia em vertigem, como o vi, é tocante e emocionante. a derrubada de dilma e a prisão de lula, por exemplo, são de chorar. e eu, como ainda tenho olhos pra chorar, chorei.

Fonte: Enilton Grill / Colunista do Site da RádioCom

Deixe uma resposta