Débora Diniz: universidade passou a ser o reduto do ressentimento

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William De Lucca, 247 – A antropóloga e documentarista Débora Diniz, que foi obrigada à deixar o Brasil no fim de 2018 por conta de ameaças sofridas por seu ativismo em prol da descriminalização do aborto, classificou o fenômeno de anti-intelectualismo que tomou o país de assalto como um movimento de ressentidos.

Em conversa ao De Lucca Entrevista, Débora disse que o fenômeno tem gênero, e que é composto majoritariamente por homens que são ressentidos da história, que não conhecem reconhecer mulheres e outras formas de masculinidade ocupando espaços de voz, reconhecimento e poder.

“Eles não são reconhecidos, mas eles fazem barulho. Dentro do modelo que compusemos a cena pública precisamos sempre do outro lado, e como ele não está na academia, como não tem espaço na universidades, ele ganhou espaço na cena pública. É um conhecimento do senso comum, que é legítimo que as pessoas tenham suas opiniões, mas uma coisa diferente é chamar isso de conhecimento e essas pessoas de professores, a ponto de terem uma legião de seguidores”, explica Débora, reconhecida pela revista norte-americana Foreign Policy como um dos 100 maiores pensadores globais.

“São pessoas que se ressentiram uma história de privilégios, que acharam que acharam que herdariam ou conquistariam por serem machos, e que viram mulheres negras, homens gays e outras minorias em posição de poder e reconhecimento. A universidade passou a ser o reduto do ressentimento, onde ele vai dizer ‘eu não estou ai, mas adoraria estar'”, disse a antropóloga.

Fonte: Brasil 247

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