Contra intelectuais, Globo quer abertura do pré-sal

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Fonte : Brasil 247

O jornal O Globo, dos irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, assumiu sua posição em relação à Petrobras, em editorial publicado nesta terça; a família midiática mais rica do mundo e mais poderosa do Brasil quer a abertura do pré-sal a empresas estrangeiras e questiona a capacidade da Petrobras de tirar o petróleo do fundo do mar; “Se a Petrobras, em condições normais, já tinha dificuldades para tocar esse plano de pedigree ‘Brasil Grande’, agora é incapaz de mantê-lo. Não tem caixa nem crédito para isso. Não há como sustentar o modelo”, diz o texto; Globo questiona também o manifesto de intelectuais, assinado por nomes como Fabio Konder Comparato, Marilena Chauí, Cândido Mendes, Celso Amorim, João Pedro Stédile, Leonardo Boff, Luiz Pinguelli Rosa e Maria da Conceição Tavares, que defende a estatal.

O manifesto dos intelectuais em defesa da Petrobras e contra o golpe em marcha no País (leia aqui) irritou os irmãos Marinho, que controlam o jornal O Globo.

Segundo o jornal, o manifesto é apenas uma operação política para esvaziar a CPI da Petrobras. Em editorial publicado nesta terça, os Marinho, que, com US$ 21 bilhões de patrimônio, são a família midiática mais rica do mundo e mais poderosa do País, defendem a abertura do pré-sal a firmas estrangeiras.

O Globo também questiona a capacidade da Petrobras. “Se a Petrobras, em condições normais, já tinha dificuldades para tocar esse plano de pedigree ‘Brasil Grande’, agora é incapaz de mantê-lo. Não tem caixa nem crédito para isso. Não há como sustentar o modelo”, diz o texto.

Dias atrás, uma funcionária da Petrobras, Michelle Daher Vieira, publicou uma carta aberta ao Globo, apontando as reais motivações do Globo na campanha negativa contra a Petrobras (leia aqui).

O direito a espernear, o jus sperniandi, é livre. Diante de fatos consumados, a parte contrariada por uma decisão judicial consistente não deixa de reclamar. Aplicado à política, porém, o princípio do esperneio pode levar a situações bizarras e até mesmo a tensões desnecessárias.

Os desdobramentos do petrolão, já configurado como o maior caso de corrupção de que se tem notícia na história brasileira, vão por esse caminho, devido à estratégia de defesa do PT.

Era esperado que o partido reagisse. Afinal, sofre avarias proporcionais à dimensão da roubalheira. Também não surpreende que volte a empregar o truque usado no mensalão do que “todos fazem”. No atual escândalo, o partido usa trecho do depoimento do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, no qual ele confessa ter recebido propina desde 1997, para com isso identificar no governo tucano de FH a origem de todo o mal. Tese sintomaticamente adotada pela presidente Dilma.

Cabe registrar que também é parte do mesmo testemunho de Barusco a revelação de que o PT teria levado, desde 2003, entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões de propinas garimpadas em negócios na Petrobras. Dessas enormes cifras, o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, ficara responsável pela coleta de parcela considerável.

Ansioso para sair do imobilismo catatônico de que foi vítima, na sucessão de revelações graves feitas no petrolão, o partido já se prepara para pedir à nova CPI da Petrobras que investigue esta denúncia. Ora, não se duvida que a corrupção na Petrobras tem longa história, mas nunca se soube de um esquema institucionalizado, vinculado ao partido no poder, e de escala industrial, como o petrolão.

Outra manobra em curso é traçar um cenário pré-64, algo delirante, e colocar no centro dele a Petrobras como vítima de entreguistas, interessados em aproveitar o escândalo para surrupiar as reservas de pré-sal do país. A ponta visível dessa operação política é o manifesto de um grupo de intelectuais redigido para denunciar a “campanha para esvaziar a Petrobras”, e “entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime de concessão.”

Lembre-se que a descoberta do pré-sal foi usada para se instituir o modelo de partilha, o monopólio da estatal sobre a operação na área, conceder-lhe compulsoriamente 30% dos consórcios e estruturar-se um megalomaníaco programa de substituição de importações de equipamentos, também usado pela indústria de propinas do petrolão. Se a Petrobras, em condições normais, já tinha dificuldades para tocar esse plano de pedigree “Brasil Grande”, agora é incapaz de mantê-lo. Não tem caixa nem crédito para isso. Não há como sustentar o modelo.

O PT, ao reagir ao petrolão, ressuscita um discurso da década de 50 e recoloca o Brasil na situação de antes da assinatura dos contratos de risco, no governo Geisel: o petróleo era “nosso”, mas continuava debaixo da terra. Agora, do mar.

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