“Conter a inflação não pode significar aumentar o desemprego”

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Fonte : Brasil de Fato

Após o anúncio do governo nesta semana do aumento de tributos sobre combustíveis, importados e operações de crédito, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (21), a decisão de elevar a taxa básica de juros, Selic, de 11,75% para 12,25% ao ano.

Este é o terceiro aumento consecutivo da taxa, chegando ao maior patamar de juros desde meados de 2011. Segundo a nota do Copom, a decisão foi unânime.

Em nota, a direção executiva nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) considerou a decisão do governo lamentável afirmando que conter a inflação não pode significar aumentar o desemprego e desacelerar o desenvolvimento do País.

“Com o argumento de diminuir o consumo para controlar a inflação, o governo dá mais um tiro no pé e contradiz o discurso utilizado de ‘ajustar as contas públicas com o menor sacrifício possível’. Menor sacrifício de quem? Só se for dos banqueiros, dos rentistas e dos detentores de grandes capitais, que têm interesse, sempre, em aumentar cada vez mais seus lucros”, questiona a nota.

A elevação de 0,5 ponto percentual na Selic vem na sequência outras medidas que, segundo avaliação das centrais sindicais, visam lesar ainda mais os direitos dos trabalhadores. Entre elas, as medidas provisórias (MPs) 664 e 665, que alteram as regras sobre pensão, auxílio-doença e seguro-desemprego, anunciadas pelo governo no fim do ano passado.

Com essas medidas, o governo espera aumentar a arrecadação em cerca de R$ 40 bilhões, que serão retirados dos trabalhadores e das camadas mais pobres. Simultaneamente, com o 1,5 ponto percentual de elevação da Selic somente após a reeleição de Dilma, o Tesouro repassa aos rentistas detentores dos títulos da dívida pública algo próximo de R$ 14 bilhões ao ano.

“Esse é um mecanismo obsceno de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos, aumentando ainda mais a concentração da riqueza no Brasil, país que se situa entre os 12 com maior desigualdade de renda no mundo”, critica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

*Com informações da CUT e Contraf.

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