Coleta de assinaturas contra o genocídio de negros será neste sábado no calçadão de Pelotas

Movimento da sociedade civil contra o genocídio da população negra no Brasil estará neste sábado, a partir das 10h, na Esquina Democrática, em frente ao chafariz da rua Andrade Neves com Sete de Setembro, para recolher assinaturas de todos que se engajam na luta antirracista. Entre os participantes do movimento estão a veterinária Lorena Coll e a jornalista Teresa Cunha. Ambas questionam a presença da população branca na luta contra os assassinatos de negros que tomou proporções assustadoras com a morte do músico Evaldo Rosa dos Santos, cujo carro foi alvejado com 80 tiros por militares.

“Nós, brancos, precisamos sair das redes sociais, onde lamentamos as mortes, e vir para as ruas, nos unir contra esse genocídio de cidadãos brasileiros”, afirmam as duas participantes do movimento. Elas citam a frase da ativista negra norte-americana, Angela Davis, para quem “não basta não ser racista, tem que ser antirracista”.

Em pesquisa realizada na Internet, a jornalista encontrou artigo da pesquisadora Denise Carreira, que questiona a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Segundo Denise, embora a lei obrigue o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira e da educação das relações étnico-raciais em toda a educação básica, isto não ocorre, especialmente nas instituições de ensino particulares. Nesses locais, explica, “se busca desconstruir a importância de se abordar o racismo justificada pelo fato da clientela ser majoritariamente branca ou esvaziar politicamente a questão racial com base na ideia de que é mais um tema como outro qualquer.”

Da mesma forma, praticamente toda a literatura que existe sobre a questão do branco e o racismo não ganha espaço nos meios de comunicação. O pesquisador Lourenço Cardoso se debruçou sobre a produção acadêmica brasileira sobre relações raciais entre 1957 e 2007, e afirma que “foi somente a partir dos anos 2000 que os estudos sobre branquitude no Brasil emergiram e passaram a construir um campo de estudos, tensionando a invisibilidade racial e o silenciamento histórico sobre o lugar dos brancos nas pesquisas sobre racismo no Brasil.”

“Em meu trabalho nos últimos catorze anos, o primeiro e mais importante aspecto que chama a atenção nos debates, nas pesquisas, na implementação de programas institucionais de combate às desigualdades é o silêncio, a omissão ou a distorção que há em torno do lugar que o branco ocupou e ocupa, de fato, nas relações raciais brasileira. A falta de reflexão sobre o papel do branco nas desigualdades raciais é uma forma de reiterar persistentemente que as desigualdades raciais no Brasil constituem um problema exclusivamente do negro pois só ele é estudado, dissecado, problematizado.”, afirma Cardoso.

“Queremos dar início a este debate aqui em Pelotas, e mostrar que nossa cidade, historicamente considerada das mais racistas do Brasil, pode se unir na luta antirracista”, afirma a veterinária Lorena Coll.

Fonte: Movimento Civil Contra o Genocídio do Povo Negro

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