Claudio Martins Costa ganha duas exposições no MARGS

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O Instituto de Artes da URFGS em parceria com o Centro de Artes da UFPEL apresentam no próximo sábado (10/8), às 11h, no MARGS, um tributo ao artista Cláudio Martins Costa (1932-2008), com a abertura de duas exposições em homenagem ao escultor: a individual “Cláudio Martins Costa – Instantes de permanência”, na Galeria Iberê Camargo, e a coletiva “ta-MONDUá” na Galeria Oscar Boeira.

“Claudio Martins Costa – Instantes de Permanência” é composta por cerca de 15 esculturas do artista, desenhos e documentos, acompanhados de catálogo que será vendido a preço especial na data do lançamento.

A mostra “ta-MONDUá” tem participação de cinco artistas convidados em um diálogo com a obra de Cláudio Martins Costa. São eles Adolfo Bittencourt, Alberto Semeler, Felix Bressan Tetê Barachini e Thiago Trindade.

Com curadoria do artista e pesquisador Clóvis Martins Costa, filho de Cláudio, e da pesquisadora e artista Tetê Barachini, as duas exposições foram concebidas para serem apresentadas em simultaneidade e de modo complementar, conferindo o reconhecimento à extensa atuação do artista e professor com suas obras e também de artistas que foram seus alunos.

As exposições podem ser visitadas até dia 22 de setembro de 2019. O MARGS funciona de terças a domingos, das 10h às 19h, sempre com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail educativo@margs.rs.gov.br.

Instantes de Permanência

Esta exposição, bem como o seu catálogo, têm o intuito de resgatar o trabalho de Cláudio Martins Costa, que dedicou sua experiência profissional como escultor para ensinar, compartilhar e fomentar a alegria pelo fazer escultórico. Por meio de um amplo, mas ainda não esgotado levantamento de documentos e obras, pode-se aferir a intensidade com a qual o artista e professor realizou em sua vida uma produção que ainda carece de maior reflexão sobre seus significados, deixando em nossas memórias preciosos instantes através dos quais compartilhou saberes e afetos.

Todos que vivenciaram a experiência de frequentar os seus ateliês lembram que, em meio às conversas aparentemente despretensiosas, recebia a todos e todas com um sorriso largo, e bastava sentar-se ao seu lado para assisti-lo planejar a solução de algum problema escultórico, através de apontamentos gráficos.

A dimensão projetiva de sua obra é aqui ressaltada por meio de amostragem, relatos e análise dos inúmeros desenhos, esboços e projetos deixados à margem de suas esculturas. Enquanto escultor foi um modelador acima de tudo, mas nem por isso negou-se a trabalhar com as assemblagens construtivas, ao contrário somou muitas vezes estes dois processos em um mesmo trabalho. Muitas vezes, encontramos entre as suas contribuições as estruturas metálicas internas e superfícies modeladas em cimento na área externa. Solução propositiva que tão bem se adequa aos monumentos públicos em nossas cidades.

Moderno em seus preceitos e atento ao seu meio, soube perpassar diferentes temas, tais como os animais, sobretudo cavalos e touros, bem como experimentou o desenho na investigação da forma escultórica por meio da elaboração de uma geometria orgânica, sempre em via de possíveis desdobramentos ao campo tridimensional. Sua incessante pesquisa pela dinâmica própria da escultura gerou uma série de santos, através dos quais repousou sua mão como a extrair-lhes o sopro vital da matéria com a qual os modelava.

Neste enlevo, ao buscar a vida das formas e volumes, aparecem os indígenas representados através de suas figuras masculinas e femininas, tema este recorrente em seus trabalhos. Talvez os índios, seus amigos, lhe dessem a verdadeira dimensão da conexão entre o homem e a natureza, na sua prática cotidiana como artista. E, por último, Cláudio Martins Costa revisitou os surrealistas e nos presenteou com seu Tamanduá, seus Guerreiros e seus seres imaginários, os quais podem ser encontrados em seu jardim-ateliê em Ipanema, Porto Alegre. Sem dúvida alguma, depois de nos reaproximarmos dos trabalhos e pensamentos de Cláudio Martins Costa, percebemos que se propôs em seu processo criativo a uma permanente interação com o meio que habitava e, mais, à sua prática de transformar os lugares de criação em lugares de encontro com o outro e com a natureza.

A realização deste projeto que apresenta um catálogo e três exposições itinerantes intituladas “Cláudio Martins Costa: Instantes de permanência”, sendo uma delas apresentada no espaço do MARGS, busca propiciar maior visibilidade à obra deste artista que viveu intensamente os significados de ser educador e artista concomitantemente.

Clóvis Vergara de Almeida Martins Costa e Tetê Barachini (Curadores)

Sobre o artista

CLÁUDIO MARTINS COSTA

Porto Alegre – RS – Brasil, 11 de março de 1932 | 06 de dezembro de 2008

Formação:

1963 – Graduação em Escultura no Instituto de Artes da UFRGS.

1965 – Licenciatura em Desenho pela PUC-RS.

Atividades docentes:

1971 – 1990 – Professor no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS em Porto Alegre.

1978 – 1989 – Professor no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre.

1970 – 1970 Professor na Escola Técnica Senador Ernesto Dornelles e na Escola Técnica Parobé em Porto Alegre.

1965 – 1985 – Professor na Escola Superior de Artes Santa Cecília, em Cachoeira do Sul/RS.

Exposições Individuais:

2019 – Cláudio Martins Costa: Instantes de permanência. Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS. Porto Alegre, RS

2019 – Cláudio Martins Costa: Instantes de permanência. Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo – MALG. Pelotas, RS

2018 – Cláudio Martins Costa: Instantes de permanência. Pinacoteca Barão de Santo Ângelo – IA – UFRGS. Porto Alegre, RS

2009 – Anotações do Escultor. Sala Aldo Locatelli do Paço Municipal da Prefeitura de Porto Alegre. Porto Alegre, RS.

2000 – Quem somos nós – Og ta um tá de natê – Abá pe ndê Saguão. Saguão do Centro Municipal de Cultura. Porto Alegre, RS.

2000 – Esculturas. Centro Municipal de Cultura. Gramado, RS.

1999 – Esculturas. Saguão do Centro Municipal de Cultura. Porto Alegre, RS.

1997- Escola de Arte Santa Cecília de Cachoeira do Sul – RS.

1986- Escola de Arte Santa Cecília de Cachoeira do Sul- RS.

Exposições coletivas:

2018 – Espaços e silêncios, AEERGS 36. Galeria Gerd Borheim, Casa da Cultura Percy Vargas. Caxias do Sul, RS.

2014 – Branco de Forma. Galeria Pinacoteca Barão de Santo Ângelo. Instituto de Artes- UFRGS, Porto Alegre, RS.

2011 – Do Atelier ao Cubo Branco. Museu de Arte do Rio Grande do Sul -MARGS. Porto Alegre, RS.

1997 – II Porto Alegre em Buenos Aires. Centro Cultural Recoleta. Buenos Aires, Argentina.

1997 – Arte-Sul 97. Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS. Porto Alegre, RS.

1996 – “25 x 25”: O Instituto de Artes Expõe a sua História. Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, IA- UFRGS. Porto Alegre – RS.

1996 – Homenagem a Anestor Tavares. Galeria Marisa Soibelmann. Porto Alegre- RS.

1986 – Artistas Contemporâneos Com. Coruja. Caixa Econômica Federal -Cef. Porto Alegre, RS.

1986 – 25 anos do Atelier Livre Municipal. Atelier Livre. Porto Alegre, RS.

1986 – 25 anos de Escultura no RS. Galeria da CEEE. Porto Alegre, RS.

1985 – I Mostra de Arte com Temática Gaúcha. Cachoeira do Sul, RS.

1985 – V Coletivas de Arte do Colégio Americano. Colégio Americano. Porto Alegre, RS.

1985 – Coletiva de escultores. Alfred Hotel. Porto Alegre, RS.

1983 – II Coletiva de Arte do Colégio Americano. Colégio Americano. Porto Alegre, RS.

1982 – Rumos da Arte. Porto Alegre, RS.

1981 – Atelier Livre Municipal. Porto Alegre, RS.

Obras Permanentes:

2005 – Busto Oscar Boeira. Praça Oscar Boeira – Bairro Auxiliadora. Porto Alegre, RS.

2000 (aproximadamente) – Busto Dr. Rubens Rodrigues. Biblioteca do Instituto de Cardiologia. Porto Alegre, RS.

1996 – Mural no Colégio Farroupilha. Porto Alegre, RS.

1993 – Dignidade do índio. Jardim da Câmara Municipal dos Vereadores de Porto Alegre. Porto Alegre, RS

1992 – Monumento ao Copreliano. Cooperativa de Eletrificação Rural: Ibirubá, RS.

1990 – Cabeça José Antônio Daudt. Autoria conjunta com Ana Pettini e Dione Grecca Moraes. Parcão. Porto Alegre, RS.

1987 – Cabeça de Lupicínio Rodrigues. Obra de autoria conjunta com Ana Pettini e Dione Grecca Moraes. Obra no Atelier Livre de Porto Alegre, Porto Alegre, RS.

1970 (aprox.) – Mural na Praça Santo Antônio. Cachoeira do Sul, RS (Orientação da execução).

1969 – Painel na entrada da cidade de Cachoeira do Sul, RS (coordenação de execução).

Premiações:

2009 – Homenagem a Cláudio Martins Costa. Paço Municipal – Sala do Porão. Porto Alegre, RS.

2007 – Prêmio Açorianos como Artista Homenageado.

1979/1980 – Prêmio Criação de Medalha do Mérito Educacional (Prefeitura Municipal de Porto Alegre; Prêmio Aquisição, Concurso dos Professores do Atelier Livre).

1969 – 1° lugar do Festival de Cachoeira do Sul, Salão de Artes (Coordenação da execução do painel vencedor).

Década de 60 – 1° lugar no concurso para o monumento aos imigrantes italianos que participaram da Revolução Farroupilha (Prefeitura de Porto Alegre).

Década de 60 – Prêmio de execução do mural da Praça Santo Antônio, Cachoeira do Sul.

Sobre os curadores

Clóvis Vergara de Almeida Martins Costa

Artista e pesquisador. Professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Doutor em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV – UFRGS). Mestre em Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV – UFRGS) e Bacharel em Pintura pelo Instituto de Artes da UFRGS.

Tetê Barachini

Artista e pesquisadora. Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Doutora em Poéticas Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV | UFRGS). Mestre em Artes com ênfase em Poéticas Visuais pela ECA | USP. Graduação em Artes Plásticas Bacharel em Escultura pelo IA | UFRGS.

Montagem/Desmontagem: Bruno Novadvorksi, Carol Carolina Kneipp, Dani Amorim, Thiago Trindade e Lucas Strey

Serviço

Exposição e lançamento de catálogo “Claudio Martins Costa – Instantes de Permanência”

Artista: Cláudio Martins Costa

Curadoria: Clóvis Vergara de Almeida Martins Costa e Tetê Barachini

Abertura: 10 de agosto de 2019, das 11h às 14h

Visitação: De 11 de agosto e 22 de setembro de 2019

Local: Galeria Iberê Camargo do MARGS

Entrada franca

Catálogo:

Campanha para cobrir custos:

https://www.catarse.me/instantesdepermanencia?fbclid=IwAR0aA14JJiz8UOamu4DVJWoPCsmyW5

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Catálogo publicação on-line:

Valor dos catálogos impressos:

R$ 60,00 (catarse)

R$ 100,00 (abertura)

R$ 120,00 (loja do MARGS)

Tá-MONDuÁ

Dentre o extenso repertório de animais nativos da fauna brasileira, a figura do tamanduá ocupou lugar de especial interesse na produção de Cláudio Martins Costa. Apesar de ter observado, desenhado e convivido com este animal desde a juventude, encontramos somente na sua fase final a produção de uma escultura intitulada “Tamanduá”. O início da feitura da obra ocorreu por meio da construção de uma armação. Desenho, portanto, que alça o espaço através das linhas maleáveis do arame e do ferro. Na sequência, a estrutura metálica ganhou estofo e revestimento em cimento e mosaico. Na representação dos olhos, dois pequenos seixos.

Interessante pensar na armação como trama, jogo, trapaça. No imaginário mítico indígena, o tamanduá figura como trapaceiro, animal que desobedece as regras. Tetê Barachini, no texto que integra o catálogo lançado juntamente com esta exposição, chama a atenção para este aspecto e aponta para o lugar do tamanduá, ser exótico e inquietante, no repertório dos surrealistas, nomeadamente André Breton, conhecido em seu círculo de amizades como Le tamanoir.

Atento aos bichos e a toda espécie de vida nativa brasileira, Cláudio parece ter sintetizado, ao final dos anos 1990 e na virada para o século 21, nesta obra aqui em destaque, seus anseios de artista, defensor da natureza e admirador dos povos que habitavam as américas antes da invasão europeia.

O genocídio das populações indígenas, assim como a extinção de inúmeras espécies da fauna e da flora brasileira, sempre foram motivo de sua indignação. A exuberância de seu tamanduá-bandeira parece evocar a dignidade das resistências que urgem no atual cenário político e cultural em nosso país.

“tá-MONDUá” apresenta o trabalho fotográfico de Thiago Trindade, que registrou a obra “Tamanduá” em seu habitat atual e produções de quatro artistas que conviveram com Cláudio Martins Costa. Um colega de docência, Adolfo Bittencourt, e três ex-alunos, Alberto Semeler, Felix Bressan e Tetê Barachini. Todos, com exceção de Thiago, atualmente professores no Instituto de Artes da UFRGS. A exposição ocupa a sala contígua à exposição “Cláudio Martins Costa: Instantes de permanência” com obras produzidas a partir do “Tamanduá”. Releituras deste animal de focinho longo e garras afiadas: estranho caçador de formigas. Em cada proposição, um olhar sobre a obra do mestre querido, mas sobretudo a referência ao pensamento escultórico, aos meandros das formas e volumes que ativam o espaço e expandem os territórios que agora nos afiguram como que em extinção: o poder da criação, a preservação das humanidades, o olhar com afeto ao outro e suas diferenças essenciais.

O trabalho apresentado por Tetê Barachini alude ao contexto surrealista, ao criar mapeamentos imaginários, rotas e percursos deste bicho de movimentos lentos, arrastados. Junto aos mapas, instala seu tamanduá mole, feito de tecido. Mapas são abstrações nas quais nos perdemos num labirinto entrópico de coordenadas e direções. O olhar aqui é transportado neste tamanduá macio através de uma cartografia imaginária. Deslocamentos e migrações constituem elementos comuns entre Tetê Barachini e Alberto Semeler, que lança mão do vídeo para impregnar superfícies com imagens de insetos que fazem parte do cardápio do tamanduá. O trabalho busca, segundo Alberto, a compreensão dos hábitos do tamanduá em seu bioma e como podemos aprender com seu modo devida, uma vez que os insetos formam uma grande fonte proteica, futuro da alimentação sustentável. Revela, portanto, o que a natureza tem a nos ensinar sobre nosso futuro enquanto espécie.

A instalação “Totem Tamanduá”, de Adolfo Bittencourt, constitui-se por um conjunto de obras realizadas em processo inteiramente digital em computação gráfica 3D, cujo produto resultante é fruto de impressão com polimerização à laser 3D e 2D. Essa releitura da obra de Cláudio propõe a atenção acerca da constituição do corpo humano através da justaposição de formas orgânicas e inorgânicas. Corpo em fusão com o mundo circundante. Valendo-se também das tecnologias de impressão 3D, Felix Bressan, na escultura da série “O Corpo Ausente”, utiliza alguns elementos formais que se estruturam em superfícies e volumetrias referenciados na obra do tamanduá de Cláudio Martins Costa. O seccionamento ocorre através de algoritmos e parametrizações quepossibilitam a passagem da modelagem digital para o real, utilizando métodos e técnicas tradicionais com as quais desenvolve estruturas em suspensão.

“Tamanduá”, que agora habita o pátio da casa onde o artista viveu desde o início da década de 1960 até seu falecimento em 2008, dispara sentidos e provoca a criação deste grupo de artistas que elaboraram esta forma-conceito por meio de soluções plásticas e estratégias expográficas distintas.

Cabe atentar para a utilização dos meios digitais, modelagem 3D, vídeo e apropriação neste repertório que busca não apenas render homenagem à obra de Cláudio, mas sobretudo tratá-la em sua dimensão projetiva, no aberto em que ainda se encontra.

Clóvis Vergara de Almeida Martins Costa – Curador

Serviço

ta MONDU-à

Artistas: Adolfo Bittencourt , Alberto Semeler, Felix Bressan Tetê Barachini e Thiago Trindade

Curadoria: Clóvis Vergara de Almeida Martins Costa e Tetê Barachini

Abertura: 10 de agosto de 2019, das 11h às 14h

Visitação: De 11 de agosto e 22 de setembro de 2019

Local: Sala Oscar Boeira do MARGS

Entrada franca

Fonte: UFPel

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