Audiência pública discutiu mudança no itinerário do transporte coletivo de Pelotas.

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Por Filipe Cerqueira, Mariana Hallal e Marina Amaral.


Na última terça-feira (21) houve uma audiência pública na Câmara dos Vereadores. Proposta pelo legislador Marcus Cunha (PDT), tinha como objetivo discutir a mudança no itinerário dos ônibus, especialmente as linhas que eram responsabilidade da empresa Santa Rosa. Com o plenário lotado – contava-se fácil mais de 200 pessoas distribuídas entre os assentos disponíveis, em pé e até do lado de fora –, a pauta mexeu com o ânimo dos presentes.

“Não tenho palavras para definir [a mudança]. Eu achei o fim do mundo” – Elisabete, costureira.

Foto: Marina Amaral.

O coro da população era um só: queriam as antigas linhas de volta. Com um trajeto mais curto, a mudança de rota imposta pela prefeitura passa por menos pontos de ônibus. Assim, quem usa o transporte coletivo precisa caminhar mais, mas paga os mesmos R$ 3,25 em passagem. Idosos, deficientes e crianças que estavam acostumados com seu trajeto diário até a escola, o médico ou outros compromissos viram-se, do dia para a noite, obrigados a mudar sua rotina.

“Meu ateliê é na [rua General] Osório, bem na parada do ônibus. Nós tínhamos, antes da mudança, o Benjamin e o Rodoviária que passavam ali. Era muito prático. Uma das causas dessa mudança foi o encurtamento das linhas para que fosse menor o tempo de espera. Só que outro dia eu estava no mercado público e esperei 25 minutos até que viesse o balsa, que é o único ônibus que passa aqui agora.” – desabafa Elisabete, costureira, que estava presente na audiência.

Foto: Marina Amaral.

Dona Jacira, de 75 anos, está acompanhando a mudança de perto. Ela sobe nos ônibus, conta o número de passageiros e compara com a quantidade que as linhas costumavam carregar naquele mesmo horário, no itinerário antigo. “Fiz um levantamento para apresentar à Prefeita. Nos horários de pico, tem 30, 34, 36 passageiros. Antes, esse número era muito maior. Eles estão tendo prejuízo. [Há] Perigo de faltar dinheiro para pagar o salário dos funcionários”.

A mudança veio por parte da prefeitura, sem uma consulta prévia à câmara de vereadores ou à população. Em entrevista, a vereadora Fernanda Miranda (PSOL) desabafou: “Enquanto vereadora, eu tenho que fazer essa denúncia e cobrar do executivo para que ele faça com que o consórcio traga uma melhoria no transporte publico. Não é isso que a gente vendo, não existe uma melhoria de fato. [Essa mudança] prejudicou ainda mais a população.” Sobre o futuro, ela comentou que esperam “minimamente que retornem as linhas e que se faça um diálogo de fato com a população”.

Ainda não há trabalhadores demitidos em decorrência da mudança nas linhas, mas esse fato pode ocorrer. A diminuição do trajeto pode acarretar em menos carros circulando e, consequentemente, menos motoristas e cobradores seriam necessários.

A Prefeitura afirmou que o mês de fevereiro seria um período de teste para os novos itinerários. A expectativa agora é de que a população seja ouvida e o trajeto antigo esteja restabelecido já no mês de março.

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