As veias da América Latina ficam mais abertas: morreu Eduardo Galeano

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Fonte : Alexandre Haubrich (Jornalismo B)

A América Latina perdeu, na madrugada desta segunda-feira (13), um de seus mais importantes e inspirados intérpretes e defensores. Eduardo Galeano não pode ser reduzido a um escritor: o uruguaio foi a própria encarnação humana de um subcontinente inteiro.

Galeano estava internado em um hospital de Montevidéu desde sexta-feira (10) devido a complicações de um câncer de pulmão, que já havia sido tratado em 2007. Multipremiado, teve importante carreira como jornalista em veículos de esquerda. Com a ditadura no Uruguai, exilou-se na Argentina. De lá, após novo golpe, passou a viver na Espanha, retornando ao Uruguai em 1985.

Em 1971, Galeano lançou sua mais importante obra, “As Veias Abertas da América Latina”, em que narra a história do subcontinente a partir do ponto de vista de seu povo, a partir da perspectiva dos oprimidos. Denuncia essa opressão e celebra a luta por libertação, relato depois ampliado e reelaborado na trilogia “Memórias de Fogo”. Em cada livro seguinte, em cada entrevista, em cada narração, mais um esforço de fazer emergir o que é escondido ou forçadamente esquecido na história do povo latino-americano.

Escreveu Galeano: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. Durante 74 anos, Galeano caminhou. E, graças aos passos que deu, podemos seguir caminhando mais unidos e mais fortes.

Quatro décadas depois do lançamento de sua obra maior, Eduardo Galeano parte e a América Latina segue com suas veias abertas, das quais, neste 13 de abril, escorrem lágrimas por seu amigo que já não pode mais defendê-la.

eduardo

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