Argentinos protestam contra corte em Ciência e Tecnologia e exigem reajuste salarial

postado em: Sem categoria | 0

Mais de cinco mil pessoas, entre docentes, estudantes e pesquisadores, protestaram na tarde de quinta-feira (27), na cidade de Buenos Aires, em frente ao Congresso Nacional da Argentina contra o corte de mais de 30% na área de Ciência e Tecnologia para o próximo ano. Convocado pelo Sindicato Nacional dos Docentes e Pesquisadores Universitários (Conadu Histórica) – filiado à Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) -, e diversas entidades e organizações do setor da Educação e da Ciência e Tecnologia, o protesto contra o corte orçamentário ocorreu, simultaneamente, em diversas cidades do país e faz parte do calendário de lutas das entidades, que deliberaram também por uma paralisação de 48 horas em todas as universidades do país entre os dias 27 e 28 de outubro.

Além de protestar contra os cortes orçamentários na pasta, os manifestantes reivindicaram a reposição inflacionária imediata para o salário dos servidores federais, mais verbas para a educação pública e o fim do imposto sobre os salários dos trabalhadores. Este ano, a inflação projetada poderá atingir até 45%, enquanto os reajustes salariais estão, em sua maioria, muito abaixo da inflação. A política de ajuste fiscal adotada pelo presidente Mauricio Macri é questionada, assim como as altas taxas de desemprego no país. Os manifestantes exigem mais verbas para as áreas sociais, como a Saúde e a Educação.

Luis Tiscornia, secretário-geral da ConaduH, afirma que as manifestações crescem a cada dia na Argentina em consequência dos ataques recorrentes à educação pública e ao sistema científico e tecnológico nacional, e a política de desvalorização salarial, além da falta de reposta do governo às reivindicações dos docentes. “Precisamos de unidade neste momento. O ajuste fiscal nas áreas de Ciência e Tecnologia e Educação é um ajuste também no futuro do país”, disse Tiscornia em entrevista ao site de notícias argentino Télam. O diretor sindical ainda questionou o silêncio do governo, que não apresentou até agora nenhuma contraproposta às demandas dos docentes sobre o reajuste salarial.

Outras paralisações

No final de setembro (27), milhares de servidores públicos federais argentinos – entre eles, professores, médicos e funcionários de saúde -, paralisaram as suas atividades e realizaram diversos protestos pelo país para pressionar Macri, a reabrir as negociações salariais com os servidores. A principal manifestação se concentrou na Praça de Maio, no centro da cidade de Buenos Aires, em frente à Casa Rosada – residência oficial do presidente.

Um mês antes, mais de um milhão de educadores trabalhadores de todos os níveis de educação da Argentina, entre eles os docentes universitários, realizaram um dia de paralisação das atividades com grande adesão das categorias para cobrar reposição salarial de acordo com a cesta básica, investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação pública e o fim do imposto sobre os salários dos trabalhadores, além da reposição salarial e a implementação integral do Acordo Coletivo de Trabalho.

No mês de maio, mais de 20 mil pessoas saíram às ruas da capital argentina na Marcha Nacional em Defesa da Universidade e da Educação Pública.

*Com informações da ConaduH e Agência Nacional de Notícias Télam. Imagem de ConaduH

Comentários estão fechados.