Advogada sofre racismo e é conduzida à força pela polícia em Duque de Caxias (RJ)

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A advogada Valéria Santos foi algemada e presa pela Polícia Militar durante audiência no 3º Juizado Especial Cível de Duque de Caxias, nesta segunda feira, enquanto trabalhava. Foi gravado em vídeo uma discussão entre Valéria e a juíza leiga sobre o acesso da cliente ao processo, quando foi chamada a Polícia Militar foi chamada para prender a advogada que protestou e exigiu a presença de um representante da OAB.

Valéria foi conduzida à 59ª Delegacia de Polícia onde foi liberada com a chegada de um representante da OAB. O presidente da Comissão Estadual de Defesa de Prerrogativas da OAB Rio de Janeiro, Luciano Bandeira criticou e destacou o absurdo do ocorrido.

“É o momento em que o advogado toma o conhecimento de todos os fatos que compõem o processo para fazer a defesa da sua cliente. Ela estava certíssima. Há uma série de equívocos, essa prisão é absurda, ilegal, ofende a advocacia, a cidadania e a democracia em nosso país. E além disso, o procedimento foi truculento, arbitrário e em desacordo à legislação do Supremo Tribunal Federal”, afirma Luciano.

Nos videos gravados, ainda dentro do fórum, Valéria protesta para poder continuar a defesa de sua cliente e destaca que é mulher, negra, advogada e que apenas está realizando seu trabalho. Bruno Candido Sankofá, presidente da Comissão de Equidade Racial, Intolerância Religiosa e formas correlatas da OAB Nilópolis reforça o aspecto do racismo institucional que aconteceu durante o caso.

“Esses casos acontecem frequentemente, seja na interceptação do segurança quando o advogado negro vai ingressar no Fórum, seja na tratativa em que é exercida em relação aos outros poderes, outras classes na magistratura, ou no Ministério Público. Essa violência é bem antes do indivíduo se tornar advogado, mas fazendo esse recorte, o próprio estagiário de Direito já sofre essa violência”, destaca.

A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro (OAB-RJ) pediu afastamento da juíza leiga e punição máxima para ela e para a Polícia Militar, anulou a audiência e marcou um ato de desagravo público (ato solene) para reparação da honra da profissional.

(fonte: Brasil de Fato)

 

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