a voz do morto (por enilton grill)

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umberto eco, escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano, morto em 2016, era um crítico contumaz das redes sociais. ele chegou a afirmar que as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas nos bares e locais discretos.

é verdade o que umberto eco diz. mas a verdade nunca é uma só. quer dizer, há muitas outras verdades a respeito das redes sociais. tudo depende do ângulo que se vê. eu, por exemplo, vejo as redes sociais sob todos os ângulos possíveis, desde os mais negativos até os mais positivos.

quer dizer, se é verdade que as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis, também é verdade que elas deram voz a figuras geniais. algumas delas, inclusive, já não estão mais entre nós.

fala, fausto wolff!

grill

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«um povo que não protege a sua cultura pode continuar existindo geograficamente, mas, espiritualmente, está condenado à morte, pois sua singularidade não será maior do que a de um mcdonald para outro.

perguntem aos americanos se abrem mão do jazz; aos argentinos, do tango; aos mexicanos, do bolero; aos franceses, da chanson. sabem que a música é integradora e bate como se um país fosse um só coração. e, entretanto, menos de 40 anos atrás, tínhamos a melhor música do mundo e deixamos que a matassem. fiquei contente com a vitória da vila isabel, e aos que acham que chávez jogou dinheiro fora informo que jamais a união da américa latina foi tão propagada.

antes de voltar ao diário de bordo: as escolas de samba se enforcando com a corda do comercialismo. é duro acreditar que seus organizadores sejam tão burros a ponto de concordar com um regulamento onde basta que um jurado dê um ponto a menos para uma das favoritas cair de primeiro para quarto.

ah, brasil, você está precisando de uma revolução realmente popular. é verdade que o povo está emburrecendo, mas, entre o canto da cela e o porrete, até um rato reage.»

fausto wolff em: la insignia. brasil, março de 2006.

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eu canto com o mundo que roda
mesmo do lado de fora
mesmo que eu não cante agora

a voz do morto | caetano veloso, 1968

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