A Exploração Avança (Por Lair de Mattos*)

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O elevado índice de desemprego, a reforma trabalhista  e o ataque às instituições de defesa e organização dos trabalhadores, como sindicatos, Ministério do Trabalho e Justiça do Trabalho, tem sido um terreno fértil para o aumento da exploração dos trabalhadores. Os patrões se sentem autorizados e protegidos para o desrespeito à legislação e à dignidade de seus funcionários.

No Sindicato da Alimentação, avolumam-se as denúncias de assédio moral e não cumprimento das obrigações trabalhistas. Trabalhadoras obrigadas a assinar um contra-cheque com valor inferior ao efetivamente pago, demissões sumárias sem o pagamento das verbas rescisórias, jornadas de trabalho sem horário certo para começar ou terminar, não recolhimento do FGTS e até agressão física à funcionária são algumas das situações que são denunciadas, cada vez com mais frequência. E o que ocorre com os trabalhadores da alimentação certamente não difere das demais.

Segundo o DIEESE, o ano de 2018 foi o pior para as trabalhadoras domésticas em termos de formalização. Apenas um terço da categoria de a carteira assinada.E o pior é que não há nenhuma perspectiva de melhora. Pelo contrário, o Governo Federal está anunciando que poderá propor legislação tornando opcional o pagamento do décimo terceiro e a concessão de férias.

Isso vai determinar o fim desses direitos, pois que vai fazer a opção não será o trabalhador, mas o patrão, que sempre vai optar por contratar aquele que estiver disposta a abrir mão das férias e do décimo. E, com a elevadíssima rotatividade do mercado de trabalho, agora incentivada por essa nova situação, vai determinar na prática a extinção desses dois direitos que gerações passadas conquistaram com muita luta.

E a geração atual, ao que parece, vendida à ideologia capitalista em sua maioria, assistirá a este roubo sem uma reação digna. Quase numa cumplicidade abjeta…

Por: Lair de Mattos * ( Presidente do Sindicato da Alimentação de Pelotas e Região)

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