A arte traz esperança neste período crítico, diz vencedor do Jabuti

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“En la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
noches
poemas”
(Leminski).

Os versos de Paulo Leminksi vêm certeiros neste cenário nebuloso onde o que se destaca são os ataques contra os direitos conquistados, a censura ao pensamento crítico e a desvalorização das artes. “A literatura e a arte devem suscitar a esperança”, é o que defende o vencedor do Prêmio Jabuti de poesia deste ano, Maílson Furtado Viana, autor da obra “à cidade”.

Por Mariana Serafini

Maílson Furtado recebeu na última quinta-feira (8) o Prêmio Jabuti na categoria de melhor poesia
Maílson Furtado recebeu na última quinta-feira (8) o Prêmio Jabuti na categoria de melhor poesia

 

Se impor através das artes neste momento de retrocesso já é um ato de resistência, mas Mailson foi além. O cearense de Varjota recebeu o maior prêmio literário do país, o Jabuti, com seu livro “à cidade”, publicado com recursos próprios, de forma independente.

O prêmio, para ele, é uma prova de que é possível encarar “de forma muito honesta” o mercado editorial “por vezes bastante cruel”. “A poesia tem o papel de incomodar, e o próprio ato de publicar de forma independente é uma quebra no status quo”.

Apesar de trazer marcas da região onde Mailson cresceu e vive até hoje, “à cidade” abrange “até onde vai o trem, por consequência, diz respeito a qualquer cidade sertaneja”. “O Ariano Suassuna traz muito marcada a geografia e as questões folclóricas, isso foi muito impactante pra mim e me deu vontade de fazer algo neste sentido sobre a região onde eu moro”.

Além de poeta, Mailson é diretor de teatro na Companhia Teatral Criando Arte, e servidor público no município de Reriatuba. Admirador declarado dos poetas do sertão, ele bebeu na fonte de João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna para trazer um olhar particular sobre a paisagem que o rodeia.

O livro traz uma única poesia, de 60 páginas, que ele construiu ao longo de uma ampla pesquisa histórica, e folclórica em busca da identidade do povo de Varjota. Neste aspecto, o autor se inspirou na obra de Gerardo Mello Mourão, “me apeguei muito no conceito histórico, ele constrói uns cenários em cima de epopeias”, conta.

“à cidade” é o terceiro livro de Mailson, que, segundo ele, tem também muito de suas obras anteriores, sua influência do cordel e da poesia marginal dos anos 70, especialmente Leminski, Ana Cristina Cesar e Chacal.

“Esse prêmio foi um ato de resistência contra esse momento crítico que a gente vive, onde colocam a cultura e a arte de canto, e a própria poesia. A arte deve suscitar esperança. A gente precisa acreditar que é possível esperar por algo melhor, e a arte tem vem neste sentido”, finaliza o vencedor do Jabuti.

 

Fonte: Portal Vermelho

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