Moradores de favelas e da zona sul do Rio temem mais milícias do que traficantes, diz pesquisa

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Um levantamento encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e realizado pelo Datafolha aponta que temor da milícia já supera o medo das facções criminosas em pelo menos duas regiões da cidade do Rio de Janeiro. Esses grupos armados, geralmente formados por ex-policiais, ganharam notoriedade nacional a partir do assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018, e, mais recentemente, pela relação de integrantes com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente do Brasil.

O questionamento sobre o temor dos cariocas faz parte de um levantamento a respeito da intervenção federal na cidade, que contou com 843 entrevistas feitas entre 23 e 25 de janeiro — a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e o intervalo de confiança é de 95%. Entre as perguntas sobre a percepção do impacto da ação dos militares ao longo de 2018, a pesquisa também questionou os entrevistados se eles tinham mais medo das traficantes de facções criminosas, das milícias, da polícia ou de todos na mesma proporção.

O Fórum de Segurança destaca que, entre os moradores de favelas, o temor da milícia já é maior do que o dos traficantes, 29% contra 25%, respectivamente — 21% apontaram ter medo de todos na mesma proporção e 18% disseram ter mais medo da polícia*. Resultado semelhante também foi percebido na zona sul, região que concentra os bairros mais nobres e famosos da capital fluminense, onde 38% disseram temer mais a milícia, 24% todos da mesma forma, 20% os traficantes e 12% a polícia*.

No entanto, quando a mostra é expandida para moradores de toda a cidade, o temor do tráfico ainda é maior para 34%, contra 24% das milícias, 22% de todos na mesma proporção e 12% da polícia (*).

A pesquisa também aponta que, mais de 90% dos entrevistados têm medo de se ver no meio de fogo cruzado de um confronto entre bandidos e policiais; ser ferido ou morto em um assalto; ser vítima ou ter parente vítima de bala perdida. Cerca de 80% disseram temer ter um filho preso injustamente e mais de 60% ter medo de serem vítimas de violência por parte da Polícia Militar ou da Polícia Civil.

Avaliação da intervenção 

A respeito da intervenção federal no Rio de Janeiro, o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também comparou os resultados de respostas dadas ao longo de quatro levantamentos, em outubro de 2017 (antes da intervenção federal), entre 8 e 9 março de 2018 (durante a intervenção e antes do assassinato de Marielle Franco), entre 20 a 22 do mesmo mês (após o assassinato de Marielle) e esta realizada no último mês de janeiro, já com a ação encerrada.

O apoio à intervenção caiu de 83%, em outubro de 2017, para 73% em janeiro. No mesmo período, o percentual de pessoas contrárias subiu de 15% para 20%, enquanto o de indiferentes subiu de 1% para 5% e o entrevistados que não sabiam de 1% para 2%.

A pesquisa também perguntou aos entrevistados se eles avaliavam que a ação do Exército nas ruas do Rio de Janeiro melhorou, piorou ou não fez diferença no combate à violência. Antes da intervenção, 44% avaliavam que a ação do Exército melhorou o combate à violência, enquanto depois o número caiu para 39%. No entanto, na segunda pesquisa de março de 2018, apenas 21% avaliavam que a ação nas ruas trouxe melhoras. A maioria dos entrevistados em todos os levantamentos respondeu que a ação não fez diferença (52% no primeiro levantamento, 69% no segundo, 71% no terceiro e 54% no quarto).

(*) Os demais disseram não saber responder

Fonte: Sul 21

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