A ideia em marcha (por Jorge Branco)

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No dia de sua prisão ilegal e farsesca, entre tantas outras assertivas repletas de significados e símbolos, Lula disse que ele era uma ideia. O que significava dizer, portanto, que sua prisão, armada, não seria capaz de fazê-lo desaparecer da cena política brasileira. Uma frase premonitória.

Depois do impeachment sem motivação constitucional da presidenta Dilma, de uma operação persecutória de lawfare, uma prisão política de mais de 500 dias, de uma guerra de desconstrução pública executada por grandes empresas de mídia e um mar de lama de informações falsas, Lula venceu o primeiro turno das eleições presidenciais deste domingo, 2 de outubro de 2022, com 57.257.473 votos, correspondendo a 48,43% dos votos válidos. Sua campanha conquistou crescimento da bancada de deputados federais e de governos estaduais eleitos no primeiro turno. Lula obteve a maior votação dentre todas nas quais foi candidato e isto se deu à frente de uma aliança igualmente maior do que as anteriores.

A prisão efetivamente não deteve a ideia que Lula representa. Tal ideia é tão forte que foi capaz de romper o bloqueio armado para impugnar o ativismo político de Lula. A ideia que Lula representa é tão mais forte na medida em que percebemos o que representa a candidatura de Bolsonaro: A regressão nos direitos fundamentais, a destruição do Estado social protetivo, a desdemocratização e a emergência do supremacismo, do racismo, da violência e do ódio como política.

Por isso este segundo turno das eleições assume dimensão muito dramática. A vitória da candidatura reacionária de Bolsonaro significaria empurrar o Brasil no caminho do aumento da miséria, da fome e exploração do trabalho, da corrupção e do aparelhamento do Estado e de suas instituições. Obviamente não em favor da maioria da sociedade.

A vitória de Lula, portanto, assume uma dimensão histórica, a de obstruir o caminho do neofascismo que cresce no mundo e que, no controle do governo brasileiro, teria um acréscimo de meios para atacar a democracia e ampliar as regressões de direitos. A frente ampla em torno de Lula tem todas as condições para ser ampliada neste segundo turno. A expectativa do mundo democrático é pela vitória de Lula, pois isto terá grande peso para contrabalançar as vitórias dos reacionários pela Europa, em especial.

As possibilidades de reverter regressões como a da reforma trabalhista, dos investimentos no SUS ou na educação pública, na ciência, no emprego e na segurança alimentar estão diretamente relacionadas à vitória de Lula neste segundo turno. Uma eventual omissão de quem se diz democrata ou preocupado com o interesse público será punida pela história. Estejamos ao lado da democracia na luta contra o reacionarismo.

* Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

por Jorge Branco

Edição: Katia Marko

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