O bobo da corte e as pessoas nefastas (por Leonardo Melgarejo)

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O presidente que mente, aquela pessoa nefasta que nos trouxe o coração do D. Pedro para uma festa macabra bem a seu estilo, reafirmou, nesta segunda-feira (22), sua insignificância e pequenês. Quebrou seus recordes. Conseguiu cuspir, em rede nacional, uma mentira a cada 3 minutos. Restou claro, ao fim daquela atividade vergonhosa para a imprensa nacional, que ali o inominável só não se desmanchou porque foi mimado, tratado a pão de ló, quando deveria ter sido desmascarado a chineladas.

Felizmente o povo não é bobo.

Aos milhões que assistiram restou a certeza de que desta fase sobrarão, além dos remorsos, vergonhas e lágrimas, muitas piadas. E isso que talvez ajude o Brasil a evitar outros erros, com certeza há de estimular a reconstrução nacional, sobre outras bases. Aquele que há poucos anos se fazia batizar no rio Jordão por pastor corrupto, aquele que se cercou de trambiqueiros, que distribuiu armas, ódio, pessimismo e medo, aquele bobo da corte, o fantoche do centrão que debochou de nossos mortos, foi posto a nu. Mas em breve haverá de ser chamado a responder questões de verdade, que estão além do repertorio do Jornal Nacional. Como aquelas propostas pelo Gregório Duvivier e pelo Bob Fernandes.

Revelou-se, nesta semana, o fim de uma era de trevas. Parece que agora volta a ser vergonhoso apoiar, se fazer acompanhar e imitar pessoas nefastas que se pavoneiam exibindo estupidez e anunciando identificação/alianças com psicopatas.

E neste fim de festa chegamos aos 200 anos da independência, onde se revela o ponto de degradação a que um povo gentil pode chegar, quando aceita ser tutelado pelo que tem de pior. 

O que pensar de uma nação que aceita se perfilar e sacolejar bandeiras para a marcha de um pedaço de carne morta, enfiada num vidro com formol há mais de 137 anos? Seria melhor se ali, ao invés do coração estivesse a cabeça do imperador?

Como isso opera na formação daquelas crianças acostumadas a ver aranhas, cobras, lagartos, siris e outros bichos conservados em vidros com álcool? Elas estão sendo preparadas para exposições de relíquias sagradas? No horizonte, quem sabe, a economia nacional poderá ser estimulada pelo comércio de pedaços de corpos humanos? Coisas como os olhos de Santa Clara, as mãos de São Pedro, ou o saco de São Longuinho, serão disputadas como tesouros acumulados em heranças de ignorantes ricos?

Até por isso, resta crer que Lula esteve correto ao lembrar da forte conexão entre os idiotas e os bobos de todas as cortes. Em nosso caso, com o incensamento daquele ser desprezível, que literalmente não se enxerga, mergulhamos na ilusão coletiva de uma maioria que agora começa a cair em si. Mentiras divulgadas por redes de golpistas, com o apoio da TV globo, de políticos canalhas e juízes irresponsáveis, por um tempo pareceram ter fundamentos de verdades. Felizmente, isso acaba como deveria ser. Ontem, dia 26 de agosto, brilhou a sabedoria daquele lema: a verdade liberta. Na abertura da entrevista com Lula, Bonner reconheceu que eram infundadas as acusações por ele e seus colegas vociferadas durante anos, naquele mesmo espaço. Ali estava a Rede Globo pedindo desculpas, reconhecendo que Lula é inocente, que foi perseguido, que está e sempre esteve limpo, que não deve nada a pessoa alguma.

Enfim, com aquele mea culpa a Vênus platinada murchava as orelhas. Foi como se dissesse: Lula é o cara e com ele que podemos trabalhar em conjunto, reexaminando as diferenças, suspendendo os sigilos e lidando para que as verdades apareçam.

Estou sendo otimista demais, porque posso, porque fiquei feliz com o programa de ontem (25). Já o Lula sabe que a realidade exige que não nos deixemos levar pelo sorriso de ratos que se apressam em abandonar o navio que levaram a pique. Ele sabe que precisamos sim, de uma imprensa/mídia/rede de comunicação verdadeiramente e não ocasionalmente honesta. Precisamos valorizar as redes de mídias identificadas com organizações populares, fortalecê-las e nelas apoiar mecanismos de comunicação associados a um governo verdadeiramente participativo.

Precisamos que os sigilos sejam levantados, que as mentiras sejam punidas e que os exemplos de conduta partam de lideranças que estimulem a alegria. Precisamos de um projeto de Brasil anunciando rumos para o futuro governo Lula-Alckmin, assim como precisamos de deputados, senadores e governadores comprometidos com os mesmos ideais e incorporados ao desafio de limpeza geral, para recuperação do espírito nacional.

Para a retomada daquele Brasil onde as diferenças e a polarização de ideias se fazem elementos saudáveis porque alimentadores da participação e da conscientização coletiva. Afinal, como lembrou o Lula, aqui como em todas as democracias, o convívio dos diferentes e o respeito ao aprendizado em comum tende a frear conflitos e não a ampliá-los. Aprendemos nestes poucos anos tristes, que o estímulo ao ódio avança sob nossa tolerância com aquelas pessoas nefastas que valorizam o pior dentre nossos piores. Dali emergiu o esquartejamento do jornalista inglês, a morte a tiros do indigenista, do professor, do ambientalista, da vereadora, do miliciano Adriano, das lideranças indígenas e dos inocentes acertados por balas perdidas. Dali vem o estímulo à invasão de festas alheias e todas aquelas ações destrambelhadas de gente doente, que se arma para ameaçar e matar, sem perceber que com isso estão desaparecendo nossos melhores. Nossas crianças. Aqueles que crescem sob o domínio do medo e das pessoas nefastas, precisam de nós para se fazerem livres.

Todos com mais de 16 anos devem fazer por isso agora, já, trabalhando para que nestas eleições se evidencie o desejo nacional de tratamento merecido a todos aqueles que se encaixam no perfil desenhado por Gilberto Gil em Pessoa nefasta.

Nesta semana, ocorreu em Porto Alegre o 2º Seminário Agroecologia e Saúde: cultivando alimentos e produzindo saúde. Promovido pelo Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, com apoio de uma centena de organizações, o evento pode ser acompanhado aqui.

* Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Edição: Katia Marko

por Leonardo Melgarejo

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