Entidades reivindicam à reitoria da UFPel medidas sanitárias eficazes para o retorno presencial

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Membros das entidades representativas de docentes, técnico-administrativos e estudantes da Universidade Federal de Pelotas (ADUFPel, ASUFPel e DCE) reuniram-se, nesta quinta-feira (19), com integrantes da reitoria, para tratar das medidas sanitárias que serão implementadas na instituição para o retorno presencial seguro, que está previsto, integralmente, a partir de 1º de agosto, e de demandas estudantis. 

As categorias cobraram um posicionamento da gestão acerca das ações que estão sendo tomadas unilateralmente e reforçaram a necessidade de ampliação do diálogo, com concreta disposição para ouvir e buscar alternativas que minimizem a situação enfrentada pela Universidade. A garantia de segurança para o retorno tem sido uma pauta prioritária da comunidade acadêmica dado o aumento no número de casos de Covid-19 na região.

Conforme criticou a diretora da ADUFPel, Celeste Pereira, a audiência foi solicitada para discutir o planejamento de forma coletiva, o que não vinha ocorrendo. “Nós temos visto algumas medidas sendo tomadas quase que de forma individual. Não existe uma orientação central que tenha sido debatida com docentes, técnicos e estudantes para que a gente acorde, de fato, o retorno seguro”. 

A Seção Sindical, segundo Celeste, posiciona-se a favor do retorno e entende que essa é a forma do processo dialógico de ensino e aprendizado de se dar em sua efetividade, mas salienta que, para que ele ocorra, precisa haver organização e diálogo.

Os representantes dos sindicatos e do DCE também demonstraram preocupação em relação à estrutura da instituição, que, segundo a coordenadora do ASUFPel-Sindicato, Maria Tereza Fujii, não atinge as condições necessárias para a segurança de todos e todas. “A gente sabe que na Universidade há janelas que não abrem, em diversos locais, e as pessoas irão ficar todas juntas respirando o mesmo ar. Então, queremos saber como a reitoria irá trabalhar com isso”. Ela também manifestou apreensão com o aumento de casos de Covid em Pelotas. 

Como será o planejamento para o retorno?

A reitora Isabela Andrade, após as falas iniciais das categorias, apresentou as medidas sanitárias que estão sendo elaboradas pela administração central. A primeira delas compreende a obrigatoriedade do uso de máscara em todos os espaços da instituição de ensino, apesar de tal medida de segurança não ser mais exigida pelo município. “Para nós, é uma estratégia mais importante e mais eficaz neste momento em relação à transmissibilidade do vírus”, apontou. 

Também será exigida a apresentação do passaporte vacinal ou, em casos excepcionais, a apresentação de teste de Covid com pelo menos 72h de validade. O controle do registro acontecerá via Cobalto e, para se matricular e frequentar a UFPel, tanto estudantes quanto servidores deverão comprovar de uma das formas que estão aptos.

Porém, em relação ao controle da circulação diária de servidores e alunos, até mesmo de pessoas externas, que por algum motivo necessitam acessar serviços ou espaços da UFPel, as medidas não contemplam o que foi demandado pelas entidades. Questão bastante enfatizada pelos representantes durante a reunião.


O pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento e reitor eleito, Paulo Ferreira Júnior, explicou que este é um problema concreto, no entanto, a gestão avaliou que não será possível sanar. Ainda frisou que o controle será prioritariamente via Cobalto, admitindo que não conseguirão estabelecer nenhum outro mecanismo capaz de assegurar o cumprimento das medidas no acesso aos prédios. Além disso, a reitoria enfatizou que o controle de execução das regras por pessoas externas, dentro da instituição, será de responsabilidade das direções das unidades, às quais caberia um papel administrativo semelhante ao da administração central da UFPel.

O presidente do Comitê Covid-19 da UFPel, Marcos Britto Correa, mencionou, ainda, que está em funcionamento o Disque-Covid – sistema de vigilância epidemiológica voltado ao monitoramento, prevenção e controle dos casos na Universidade. Por meio dele, são acompanhados os dados desde setembro de 2021, no qual, segundo Correa, é possível realizar um levantamento completo do número de casos dentro da UFPel e conferir se há associação entre eles e contaminação cruzada (sem registro até o momento). Entretanto, as informações são obtidas via formulário, preenchido pela própria comunidade universitária, sem um controle mais efetivo.

Situação orçamentária 

O cenário orçamentário da instituição também foi indagado pela diretoria da ADUFPel. O estrangulamento de verbas tem afetado diretamente o funcionamento da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) desde 2013, entretanto a situação tem se agravado cada vez mais no governo Bolsonaro. 

Os sucessivos cortes, segundo Paulo Ferreira, levaram a UFPel a assumir um déficit de R$ 5 milhões no ano passado. Como o orçamento deste ano permanece o mesmo, 2022 já iniciou com uma carência bastante significativa. Ele explica que essa situação coloca em risco os contratos vigentes e funcionários terceirizados. Por conta disso, há redução e menor controle das portarias.

Demandas estudantis 

Ao final da audiência, representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPel apresentaram à gestão demandas relacionadas ao represamento de vagas, à evasão e à assistência estudantil.

A preparação da estrutura das salas de aula para a oferta de disciplinas de forma que suporte o grande número de alunos que optaram esperar o retorno presencial para inscreverem-se é umas das principais preocupações. Os discentes também atentaram para os horários ofertados do transporte de apoio e a superlotação, bem como demonstraram  anseios acerca das altas demandas pelo Restaurante Universitário (RU), cuja lotação está acima do normal, dado o momento delicado financeiramente atravessado pela população. 

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Assessoria ADUFPel

Fotos: Assessoria ADUFPel

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