Juliane Furno: sanções da guerra podem induzir a nova ordem econômica global

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A economista Juliane Furno acredita que um dos impactos mais expressivos, no Brasil, das sanções impostas pelo Ocidente à Rússia estará na continuidade da desvalorização cambial. Segundo ela, em períodos de crise moedas de países localizados abaixo do que ela chama de “hierarquia internacional de moedas” tendem a sofrer desvalorização maior. Isso porque são identificadas como de muito risco e pouco seguras, como ela observa, em entrevista ao Brasil de Fato. Para Furno, que é economista-chefe do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), a guerra na Europa e as sanções econômicas dela decorrentes podem desencadear um novo padrão monetário internacional, “na medida em que embargam a possibilidade de a Rússia manejar suas reservas, que estão em grande medida colocadas nesses ativos”.

Desse modo, o cenário pode forçar uma saída alternativa, uma nova moeda como fator de trocas internacionais, acredita. Juliane Furno é integrante da equipe econômica que trabalha no programa para a iminente candidatura do ex-presidente Lula à presidência. Ela lembra que a guerra na Ucrânia se dá num período de grave crise econômica devido à pandemia. Além disso, classifica a inflação como “um dano que ainda é perene e que atinge fortemente os Estados Unidos”.

Nesse sentido, o economista Márcio Pochmann, também observou recentemente que a nova ordem mundial estabelecida em 1991, com o fim da União Soviética e da Guerra Fria, está ameaçada. Como Furno, ele acredita que as sanções podem começar a incentivar um outro sistema monetário.

Teto de gastos: desafio

A revisão do teto de gastos, adotado a partir do governo de Michel Temer, está entre os maiores desafios de um eventual novo governo Lula. “Se o teto de gastos não for flexibilizado ou rechaçado no próximo período, os nossos sonhos nas urnas, o que for o nosso desejo na campanha, de redução do déficit habitacional, de ampliação das políticas de transferência de renda, de ampliação e reajuste das bolsas dos pesquisadores nas universidades, simplesmente não pode ser feito, a despeito da vontade popular e da sociedade ter eleito um presidente que carrega esse programa”, disse Furno.

Ela lembra que a determinação de quanto o Executivo pode gastar se tornou questão constitucionalizada, e não mais uma simples determinação do chefe de Estado. “Isso precisa ser derrubado. Porque o teto de gastos é um grande risco à democracia”, afirma. E desse modo explica porque esse regime fiscal pode inviabilizar um programa de governo que venha a representar a vontade das urnas. Além disso, ela completa, se o teto de gastos inviabiliza investimentos públicos, afeta também a capacidade de arrecadação do Estado. Ou seja, “diminui as chances de voltar a haver um equilíbrio sustentado das contas públicas”.

Por Redação RBA

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