Lava Jato criou tese para tentar incriminar Lula na compra de caças Saab/Gripen: “Interesse americano”

Em nova petição protocolada nesta segunda-feira (22) no Supremo Tribunal Federal (STF), baseado nos diálogos apreendidos na Operação Spoofing, advogados de Lula revelam que a Lava Jato criou uma tese fictícia e tentou buscar elementos para incriminar o ex-presidente na licitação para compra de jatos para as Forças Armadas na perspectiva de “haver interesse americano” na concorrência, vencida pela sueca Saab/Gripen, em que a estadunidense Boeing saiu derrotada.

“O novo material analisado mostra que a ‘lava jato’ decidiu usar a aquisição dos caças suecos Saab/Gripen, com o
parecer favorável das Forças Armadas, para construir uma — absurda — denúncia oferecida em 09.12.2016 perante a Justiça Federal de Brasília, que imputou ao Reclamante os crimes de tráfico de influência e tráfico internacional de influência. Essa denúncia foi gestada pela ‘lava jato de Curitiba’ pelo menos a partir de agosto de 2016 na perspectiva de ‘HAVER INTERESSE AMERICANO’ e, ainda na expectativa de uma atuação formal daquele país ‘com base no fato de uma empresa americana ter sido prejudicada na concorrência’, referindo-se, à toda evidência, ao grupo norteamericano Boeing”, diz a peça jurídica assinada pelo advogado Cristiano Zanin Martins.

Em conversa no dia 5 de agosto de 2016, o procurador Paulo Galvão confessa no recém criado “Chat Nove Caças” a intenção de colocar “algumas ideias iniciais” para depois “dividir as tarefas”, dizendo que “o fato é atípico, mesmo com pagamento ao IL [Instituto Lula]. Ainda´, creio que será necessário identificar um servidor público da ativa na época para ser denunciado em conjunto”.

Para sustentar a imaginária tese e envolver Lula em um suposto tráfico de influência, os procuradores resolveram acionar o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ).

“Vou verificar a situação da SAAB Gripen junto aos EUA, mas em princípio não são emissoras de ações lá. Então para haver o interesse americano, precisaremos identificar alguma conta bancária ou transmissão de email que tenha se valido de provedor americano (o que é fácil)”, diz o procurador.

Após a realização de 12 audiências, para a oitiva de 31 testemunhas – além de 11 pessoas ouvidas no exterior -, a Lava Jato concluíram que não havia qualquer interferência de Lula no projeto.

No entanto, diante disso, eles sugeriram uma nova delação ao ex-ministro Antonio Palocci. “Pessoal, se Palocci puder falar algo sobre a “coincidência” de endereço de trabalho dele e das empresas de Luleco, será útil a nós na ação de tráfico de influência nos caças e MP 627. Isso foi ventilado na notícia abaixo”, diz o procurador Herbert Reis Mesquita, no dia 17 de julho de 2017.

A delação foi autorizada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da Vara Federal em Brasília. A delação, no entanto, foi impugnada pela defesa de Lula.

“Outrossim, como não poderia ser diferente, PALOCCI prestou o
depoimento que havia sido “encomendado” pela força tarefa da Curitiba, embora tenha reconhecido não dispor de qualquer prova sobre suas afirmações — em mais um depoimento típico de delatores doutrinados pela “lava jato””, diz a petição dos advogados de Lula.

Fonte: Revista Fórum

Imagem: Revista Fórum

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