Há seis anos sem reajuste salarial, professores estaduais fazem ato de ‘natal da miséria’

Com críticas fortes contra o governador Eduardo Leite (PSDB), o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS) realizou, nesta terça-feira (22), um ato em frente ao Palácio Piratini para denunciar os seis anos sem aumento salarial e a difícil situação enfrentada por professores e funcionários expostos ao contágio com as escolas abertas durante a pandemia do novo coronavírus. Batizado de “Natal de Luta”, o ato fez alusão à “ceia magra” da categoria, com salários corroídos pela inflação e vencimentos pagos de forma parcelada há anos.

Vinda de Pelotas, a professora Ana Paula disse que o “natal de miséria” pelo qual passam os profissionais da educação é consequência de um arrocho salarial imposto por diferentes governantes, e criticou o governador Eduardo Leite por, apenas dois anos depois de eleito, ter pago o primeiro salário do funcionalismo em dia, no fim de novembro. Durante a campanha eleitoral de 2018, Leite dizia que o parcelamento dos funcionários públicos era culpa da má gestão de José Ivo Sartori (MDB) e bastava “tirar a bunda da cadeira” pra resolver o problema.

Ana Paula também enfatiza a situação enfrentada pelos professores sem treinamento para atuar no ensino remoto e os inúmeros estudantes que não tiveram acesso às aulas por falta de conexão com internet. “Esse presente de natal não queremos, queremos dignidade e respeito.”

O ato contou com a participação de representantes dos 42 núcleos do CPERS no estado. A diretora do núcleo de Bento Gonçalves, Juçara de Fátima Borges, criticou a decisão da Justiça que impediu os funcionários públicos com dívidas de realizarem o empréstimo junto ao Banrisul para receber o 13º salário integral. “A vida dos professores importa. Nosso presente de natal é mostrar pro governador o nosso terror. O problema não é caixa, é gestão”, afirmou.

A professora aposentada Maria Cleni, diretora do núcleo de Frederico Westphalen, disse que a categoria nunca passou por “tanta miséria” como atualmente. “Como aposentada, nunca passei tanta dificuldade como agora, nosso salário há seis anos sem reajuste, e ainda aumentaram o desconto do IPE”, destacou.

Durante o ato, a presidente do CPERS, Helenir Schurer, também lamentou a decisão da Justiça com relação ao empréstimo do 13º salário. “Infelizmente, um desembargador entendeu que não, do alto da sua ‘torre de marfim’”, comentou. Ela recordou a luta da categoria no início do ano em função dos projetos apresentados por Leite, ponderou que não foi possível derrotar todas as mudanças propostas, mas se conseguiu algumas melhorias, como manter o plano de carreira do magistério — ainda que defasado. “Fizemos muita luta”, enalteceu, reforçando que o ato de hoje visa mostrar “as maldades” do governo Leite contra os educadores.

A manifestação do CPERS terminou com os participantes lendo os cartazes que carregavam e, em seguida, colando-os no gradil disposto em frente ao Palácio Piratini. “Chega de calote”, “Teto de gasto acaba com o futuro do Rio Grande do Sul” e “Retirar direitos em plena pandemia é crime” diziam alguns dos cartazes afixados.

Fonte: Sul 21

Imagem: Sul 21

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