O que saiu das urnas ( Por Alex Saratt)

Escrevi texto longo sobre as urnas e seus resultados. Não me apeteceu, ficou idiossincrático. Resolvi dar ultima forma e fazer algo mais telegráfico.

* Não vamos “enfeitar o pavão”, a Esquerda não saiu vitoriosa dessas eleições. Entrou dividida e, não raro, conflitante. A unidade “na marra” durante o 2º turno não recuperou o prejuízo e tampouco garante que se encaminhará algo do gênero para o futuro. Responsabilidade cívica e noção da realidade talvez ajudem no processo, mas se persistir a tese fantasiosa de vitória da Esquerda, “foi-se o boi com a corda”;

* O propósito da Frente Ampla continua válido, mas também é verdadeiro que é preciso nucleá-la a partir da Esquerda. Para além das disputas costumeiras, o sistema eleitoral e suas implicações nas legalidades partidárias é um grande obstáculo para forjar a união requisitada;

* A memória anda curta: já esquecemos como Bolsonaro triunfou, à parte ou por cima do sistema partidário tradicional, operando com outra lógica e método. Em meio a maior crise(s) vivida pelo Brasil desde a redemocratização, pouco se ouviu de críticas ao mandato presidencial e se é real que seus candidatos naufragaram, o mesmo não pode ser dito de seu discurso e política, presente na boca e nos programas da maioria dos vencedores;

* Aliás, em diversas eleições foi o voto bolsonarista que definiu a parada a favor das candidaturas de Direita, como visto em São Paulo, Porto Alegre, Vitória e outras;

* Em votos nominais, Centrão e partidos bolsonaristas cresceram. Isso somado às vitórias da Direita Neoliberal (PSDB, DEM, MDB, PSD) colocaria hoje um segundo turno presidencial entre Bolsonaro e Dória;

* Sartre escreveu certa feita: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Não convém desprezar os números, porém não é saudável e inteligente se aferrar aos mesmos. Há uma brecha para transformá-los usando de argúcia, audácia e destemor, mirando o inimigo central, o fascismo. Atende pelo nome de Frente Ampla.

* Se unidade e amplitude soam como os mantras a serem entoados, cumpre registrar alguns outros elementos importantes para a agenda política: renovação de quadros e lideranças, atualização da leitura sobre a realidade social e econômica do país, síntese das questões democráticas e desenvolvimentistas com as pautas identitárias;

* Botar na rua o Fora Bolsonaro como campanha permanente de denúncia e oposição ao projeto de destruição do povo e do país.

Enfim, sem pretensões de dar a fórmula dos caminhos a serem trilhados e sem esmiuçar os pormenores da luta social e movimentos políticos possíveis e necessários para vencer essa dura circunstância histórica que se arrasta – na prática – desde o biênio 2013/14 e que teve seus lances radicalmente dramáticos com o Golpe de 2016 e seu repique em 2018 com a eleição de Bolsonaro.

Colocar os interesses populares, nacionais e democráticos à frente implica unir, ampliar, lutar e derrotar o fascismo. O resto é conto da carochinha.

Fonte: Alex Saratt é professor de História nas redes públicas municipal e estadual em Taquara/RS, vice-diretor do 32º núcleo do Cpers-Sindicato

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