Eleições 2020: Os omissos também são personagens dessa história ( Por Leonardo Melgarejo)

Estas próximas semanas podem vir a ser as mais importantes de nosso período recente. Elas trazem a espaços cruciais do Brasil aquele vento renovador que vem soprando golpistas para fora do poder, na Bolívia, no Chile, no México e na Argentina. São tempos novos que se impõem, em defesa da vida, com apoio da ciência, da ética e da cultura, contra o fascismo internacional e seus agentes locais. E é a nossa vez de agir.

Aqui no Sul, a eleição de Manuela D’Ávila em Porto Alegre, de Pepe Vargas, em Caxias do Sul, e de Ivan Duarte, em Pelotas, representam a volta de nossa capacidade de ser feliz, com trabalho honesto e respeitoso a todas as pessoas. Precisamos destas vitórias nas urnas para reconstruir o espírito da democracia participativa que caracterizava este território e que fazia, destas cidades, deste Estado e deste País, polos culturais de bem viver, admirados e respeitados para muito além dos nossos horizontes de tempo e espaço.

E por que não conseguiríamos isso? O que nos faltaria? Manuela, Pepe e Ivan Duarte enfrentam marionetes, representações maquiadas do neoliberalismo, da exploração abjeta e do espírito privatista que abre mão de nossos patrimônios e bens comuns. E são apoiados por fascistas, golpistas e racistas de todo tipo. Em Pelotas e Caxias aqueles tucanos, adversários do nosso futuro, serão derrotados por Pepe e Ivan Duarte porque são o que não conseguem esconder: são filhotes do PSDB, aquele grupo do José Serra e do Aécio Neves, cujos métodos e propósitos estão descritos na Privataria Tucana; eles representam e acumulam aliados entre aqueles que se abrigavam na antiga ARENA, no antigo PMDB e nos partidos de aluguel controlados por oportunistas de ainda menor valor. Ali está a base que sustenta os golpistas que depuseram a presidenta Dilma sem culpa, que prenderam o Lula sem provas, que elegeram o Bolsonaro sem tino e que agora, com o governo Leite ameaçam privatizar a CORSAN e a CEEE.

Eles trouxeram os eucaliptos e a ameaça da mineração a céu aberto, que esgotarão as bases de vida do Pampa e a qualidade do ar que respiramos na Capital. Pois é a este grupo que pertencem o Adiló (em Caxias) e a Paula Mascarenhas (em Pelotas). Filiados ao PSDB, que em nosso estado agoniza sob a liderança do governador Leite. Governador Leite, que na surdina destas eleições e aproveitando o clima de mortes da covid, acaba de enviar à Assembleia Legislativa um projeto de lei que pretende anular a lei gaúcha dos agrotóxicos. Entende-se, este partido é refém de interesses que pouco ou nada têm a ver com nossas necessidades reais. Em seu PL 260/2020, com uma justificativa ridícula, nosso jovem governador do PSDB, pretende retirar da lei gaúcha dos agrotóxicos aquela cláusula que proíbe a venda, em nosso estado, de venenos que os fabricantes não conseguem aprovar para uso em seus países de origem.

Destaque-se: venenos que causam câncer, deformações degenerativas, alterações reprodutivas, e que por decisão de legisladores preocupados com a saúde de seus povos, não podem ser usados nos países de origem, desde 1982, por decisão unânime da Assembleia Legislativa e com endosso do então governador do estado, também não podem ser usados no RS. Pois o governador Leite, do PSDB, que em Porto Alegre ainda apoia o candidato Melo, o Melonaro, do PMDB, pretende mudar isso. Quer autorizar no RS a venda de lixo tóxico sem mercado na Europa, quando deveria estar agindo no sentido de proteger e estender nossa legislação a todos os estados do Brasil.

O que pensar deste governador e de seus parceiros? Que resposta eles merecem? Não, não! Menos… Bastará uma série de derrotas nas urnas! Começando agora, com a eleição de Pepe Vargas, Ivan Duarte e Manuela D’Ávila.

Em Porto Alegre, o PSDB e outros golpistas apoiam Melo. Melonaro, aquele com assessores tão bolsonaristas que se orgulham de usar camiseta mitônoma. Melo, aquele que sempre esteve ao lado dos poderosos, que despeja à força moradores de ocupações em edifícios abandonados e que não atua contra a especulação imobiliária, a máfia do lixo, os donos do transporte. Aquele mesmo Melo que sempre apareceu como ator ou aliado das administrações que fizeram de nossa Porto Alegre esta cidade suja, feia, triste e perigosa. Ora, não há de ser difícil derrotar este cara, que só está no segundo turno porque o Miudinho, seu ex-líder e chefe, inexperiente como é, em meio século de vida política, não notou que inscrevia e pilotava uma chapa fria e falsa.

Além disso, mais de 400 mil porto-alegrenses deixaram de exercer seu papel de protagonistas na construção do futuro, não votando ou anulando o voto, em 15 de novembro. Cabe a todos nós, e não será difícil. Bastará conversar com cada um dos que possamos acessar, lembrando o que fomos, e o que podemos vir a ser, como gaúchos de verdade.

Lembrando que sem apoio dos até aqui omissos, a escuridão e o medo crescerão em nossas ruas, até o colapso, numa guerra fraticida contra milícias armadas.

Lembrando que a vereadora Ana Lucia, de Joinville/SC, foi ameaçada de morte, esta semana, por ser negra, onde na lógica doida dos fascistas, “a gente mata ela e entra o suplente, que é branco”.

Lembrando que a renovação obtida na Câmara de Vereadores de Porto Alegre trouxe sangue novo para o Legislativo e que com eles, e elegendo Manuela e Rossetto, recuperaremos nossa posição de direito, na história da democracia participativa.

Lembrando que basta as pessoas assistirem os debates para constatar o óbvio: Porto Alegre não merece o Melo, e precisa da Manuela. Ele é incapaz e ultrapassado, enquanto ela sabe o que quer e pretende trabalhar com todos, para todos.

Com este passo, eleitos Pepe Vargas, Ivan Duarte e Manuela, resultará claro que neste estado não há lugar para criminosos, milicianos e fascistas e que estão enganados aqueles que acreditam ser possível reeditar aqui a infâmia do Massacre dos Porongos.

Que nos inspire a bela música de Paulo Romeu Deodoro, liderança cultural nascida e criada no “Areal da Baronesa“, Cidade Baixa, espaço que abrigou o primeiro povoado negro de Porto Alegre, e onde seu povo luta, desde o século XVIII, contra os mesmos racistas, fascistas e oportunistas que derrotaremos em 29 de novembro.

Vamos eleger Manuela, Pepe Vargas e Ivan Duarte, e com eles retomar a alegria, a valorização do feminino, do comunitário, e da alma progressista, revolucionária, de todos os/as gaúchos/as. Esta terra tem dono, e é nossa como somos dela. Aqui nada está a venda.

OBS: Amigues leitores. Os links são opções de acesso, para eventuais interessados nas fontes citadas. Recomendo, enfaticamente, tão somente que não deixem de escutar a música de Paulo Romoe Deodoro. Que ela nos inspire.

Fonte: Brasil de Fato RS Edição: Katia Marko

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