Em áudio, Nagelstein ataca vereadores eleitos pelo PSOL: ‘sem tradição e com pouquíssima qualificação’

Um áudio compartilhado pelo vereador e candidato derrotado à Prefeitura de Porto Alegre Valter Nagelstein (PSD) viralizou nas redes sociais na tarde da última terça-feira (17). Na mensagem, ele afirma que os vereadores eleitos pelo PSOL para a Câmara Municipal na próxima legislatura são pessoas “sem nenhuma tradição política, sem nenhuma experiência, sem nenhum trabalho e com pouquíssima qualificação formal” e ainda “muitos deles jovens, negros, quer dizer, o eco àquele discurso que o PSOL foi incutindo na cabeça das pessoas”. Nagelstein também atribui o resultado da eleição “à ocupação que a esquerda promoveu nos últimos 40 anos, da universidade, das escolas, do jornalismo e da cultura”.

A fala, carregada de preconceito, não ficou sem resposta. Candidato à vice-prefeitura pelo PSOL, Márcio Chagas compartilhou um vídeo em que responde a Nagelstein. “O que me causa surpresa é o questionamento, como se fosse o projeto de uma esquerda para tentar buscar reparação racial e de igualdade nesse país, mas esse projeto não nasceu na esquerda. Esse projeto nasceu no movimento negro brasileiro que vem batalhando há anos por uma igualdade, por uma equidade, por respeito, por oportunidade”.

Chagas também destaca o fato de Nagelstein ter feito uma quantidade de votos muito inferior à soma dos vereadores que ele ataca. Na disputa pela Prefeitura, o candidato do PSD teve apenas 20.033 votos. Karen Santos e Matheus Gomes, os dois vereadores negros eleitos pelo PSOL, conquistaram juntos 25.571 votos, sendo que Karen foi a mais votada pelos eleitores que foram às urnas no dia 15.

No Twitter, Karen destacou que o candidato não soube perder: “Valter Nagelstein está em crise de choro pelo resultado da eleição”.

Já Matheus Gomes afirmou, também no Twitter, que, “se ficar comprovado que é o ‘ainda’ vereador Valter, tomaremos as medidas legais cabíveis”. Nagelstein confirmou à colunista Rosane de Oliveira que o áudio é dele. Ao Sul21, sua assessoria respondeu que “o PSOL por anos a fio repete como mantra a frase que a sociedade brasileira elimina jovens negros. Esse discurso encontrou eco nas urnas”.

Fernanda Melchionna, candidata à Prefeitura pelo PSOL, também comentou a mensagem: “Lembram do machista que coloquei no chinelo no debate, o Nagelstein? Fez uma fala racista sobre nossos vereadores e os chamou de desqualificados. Elegemos professores, advogados, líderes comunitários, alguns com pós-graduação. Mas o homem branco não aceita que perdeu. Só lamento”, escreveu.

Laura Sito, eleita vereadora pelo PT também no último domingo – e que ao lado de Karen, Matheus, Daiana Santos (PCdoB) e Bruna Rodrigues (PCdoB) será uma das cinco pessoas negras eleitas para a próxima legislatura – também respondeu o áudio que circula nas redes. “O ódio que Valter Nagelstein apresenta no seu áudio é o ódio que nós acompanhamos ao longo de toda a nossa história, da elite canalha brasileira que não aceita que uma filha de doméstica, como eu, possa ter entrado na universidade federal, possa ser jornalista, possa ser servidora do município.”

Até a eleição deste ano, apenas uma mulher negra havia sido diretamente eleita para a Câmara de Porto Alegre. Teresa Franco, a Nega Diaba, ocupou uma cadeira na Casa entre 1997 e 2000. Depois dela, Karen Santos chegou a ser empossada, em 2019, depois que a titular do mandato, Fernanda Melchionna, foi eleita para a Câmara Federal.

Fonte: Sul 21

Imagens: Sul 21

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