Após cinco anos, atingidos pelo crime da Samarco em Mariana (MG) ainda cobram justiça

O rompimento da barragem do Fundão, da mineradora Samarco, no município de Mariana (MG), completou cinco anos na última quinta-feira (5). A mineradora, controlada à época pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, até hoje não cumpriu a promessa de obras de recuperação no distrito de Bento Rodrigues, onde se localizava a barragem rompida e que foi severamente destruído.

A avalanche de rejeitos, provocada pelo rompimento, matou 19 pessoas e causou pessoas e uma série de danos ambientais, sociais e econômicos, atingindo 39 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo. O Rio Doce, um dos rios mais importantes do Sudeste, foi contaminado com lama tóxica até sua foz, no estado do Espírito Santo, o que teve impacto na fauna e flora, além de prejuízo para as comunidades ribeirinhas que vivem da pesca na região.

Os responsáveis pelo crime ambiental ainda não foram julgados, as comunidades destruídas não foram reconstruídas e não há nenhuma proposta para recuperação do meio ambiente devastado. Em 2019, o crime de homicídio foi retirado do processo. As mortes provocadas pelo rompimento da barragem foram consideradas pela Justiça como consequência da inundação causada pelo rompimento.

Protesto

Em diversas cidades de Minas Gerais e no Espírito Santo, atingidos pelo crime da Samarco saíram às ruas para pedir justiça após meia década sem reparação. Projeções foram realizadas em capitais de outros estados para marcar a data. Também divulgaram uma carta aberta para a Vale, Samarco, BHP e sociedade brasileira.

“Temos direito a ter voz e vez nas decisões. Estamos cansados de ter nossos destinos colocados à mercê de empresas, políticos e juízes, poderosos e donos desse sistema, que rouba nossos direitos à luz do dia sem nenhum pudor, e nos afundam cada vez mais nessa lama tóxica de interesses privados”, dizem atingidos e atingidas no documento.

Em Minas Gerais, dezenas de atingidos pelo crime da Vale em Brumadinho, corrido em janeiro de 2019, prestaram solidariedade com o fechamento de estradas nas cidades de Betim e São Joaquim de Bicas, na bacia do rio Paraopeba. Eles também cobram participação popular no acordo proposto pelo Estado para a mineradora sobre o crime que já vai completar dois anos em janeiro do ano que vem.

Também, houve uma ação simbólica do Movimento dos Atingidos por Barragens no distrito de Bento Rodrigues, local que ficou debaixo de lama após o crime da Samarco, Vale e BHP Billiton. Os manifestantes colocaram faixas em alguns pontos com mensagens sobre a necessidade da construção de moradias dignas, e lembraram pedidos para que a esfera judicial não fique alinhada às empresas, mas sim atenda os interesses das pessoas que perderam suas casas, os empregos, e sofrem com desabastecimento de água limpa, problemas de saúde e aumento da violência por conta do maior crime ambiental brasileiro.

Atingidos do bairro Gesteira, em Barra Longa, que viram a realidade da região mudar drasticamente após o crime, cobraram reparação dos danos causados nas vidas das famílias em uma caminhada. A maior parte da população da localidade, assim como em outros pontos da bacia do rio Doce, nem mesmo tiveram o reconhecimento da empresa.

Houve também um ato no centro da cidade de Ipatinga e uma apresentação cultural no centro da cidade de Mariana, em Minas Gerais, em memória das vítimas.

No Espírito Santo, centenas de manifestantes estiveram na praia, em Regência, para lembrar o crime e pedir por justiça. O litoral capixaba foi extremamente atingido e, até hoje, pescadores, agricultores e toda a população da região sofrem os impactos ambientais e sociais do rompimento da barragem.

Sem reparação

Integrantes da Força-Tarefa Rio Doce, do Ministério Público Federal, apontam que as ações reparatórias demoram a se concretizar. Para os procuradores, a Fundação Renova, criada para reparar os danos do rompimento dessa barragem, está demorando para tirar do papel os 42 programas previstos no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta para minimizar os efeitos da devastação do mar de lama que se espalhou por 670 quilômetros.?

Até agosto de 2020, segundo o MPF, apenas 34% das famílias cadastradas como afetadas pela lama em Mariana receberam a indenização.? Além da demora da compensação, o coordenador substituto da Força Tarefa do Ministério Público, o procurador Eduardo Henrique Aguiar, critica a demora na entrega de novas casas para os atingidos pelo rompimento.

Fonte: Com informações do MAB, Agência Senado e Agência Brasil

Imagens: Antônio Cruz / Agência Brasil e Thiago Sabino / MAB

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